O relatório anual da organização Anistia Internacional foi divulgado nesta quarta-feira, em Londres, e um dos objetivos mencionados no texto é ampliar a área de atuação no Brasil para fazer valer os direitos humanos.
Tim Cahil, pesquisador para o Brasil da Anistia, explica que a Anistia tradicionalmente luta pelos direitos humanos convencionais, cujas violações incluem falta de liberdade de expressão, tortura e pena de morte:
- Agora o que a Anistia está fazendo é tratar os direitos humanos de forma indivisível. Não adianta falar em liberdade civil quando as pessoas sofrem com falta de educação, pobreza, falta de acesso à saúde e à cultura. Por isso, nos próximos anos realizaremos vários trabalhos que unifiquem estes conceitos.
E completa, afirmando que a luta pelos direitos devem ser ampliadas para outras áreas:
- Estamos substituindo o conceito de lutar apenas pelos direitos humanos cívicos e políticos para procurar enfatizar os chamados direitos econômicos, sociais e culturais. O Brasil é um ótimo exemplo de como essas mudanças são necessárias e já estamos trabalhando em diversos projetos sociais no país.
Para Cahil, o fato de os abusos aos direitos humanos no Brasil estarem muito ligados a questões econômicas e sociais ("talvez como nenhum outro país no mundo") torna o trabalho da organização no Brasil especialmente interessante e desafiador.
- Os brasileiros têm uma visão negativa em relação aos direitos humanos, achando que defendê-los é o mesmo do que defender criminosos em cadeias ou nas ruas. Nossa prioridade é lutar para que a população entenda que as desigualdades sociais e econômicas também correspondem a desrespeito dos direitos humanos - diz o pesquisador.
A Anistia Internacional afirma ainda que o governo pode fazer mais contra o crime e a tortura, mas também cabe à população pressionar mais as autoridades.
- É um ciclo. Pessoas com melhores condições exigem mais de seus governantes - diz Cahil.
O pesquisador da Anistia elogia os projetos sociais no Brasil, como o do governo Lula de combater a fome, mas afirma que os direitos humanos estão embutidos em todos os âmbitos da sociedade. E que, se quiser atingir o objetivo é preciso fazer com que esta consciência permaneça na mente das autoridades do país:
- Não adianta combater a fome e não a corrupção na polícia, por exemplo.