Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Anistia cobra ajuda do governo a índios do Brasil

Quarta, 30 de Março de 2005 às 18:59, por: CdB

A Anistia Internacional pediu na quarta-feira ao governo do Brasil que respeite as reivindicações dos indígenas por suas terras ancestrais, alertando que se isso não acontecer a violência e a discriminação contra eles vão aumentar.

Em um relatório sobre a situação dos índios no Brasil, a Anistia disse que o governo deve adotar planos específicos para reprimir os persistentes abusos contra eles e conceder todas as terras que eles reivindicam.

"O fracasso das autoridades federais em garantir os direitos dos povos indígenas a sua terra, por meio da demarcação e da ratificação de muitos territórios indígenas, vem contribuindo para os ataques contra os índios", disse a Anistia.

Havia cerca de 6 milhões de índios no Brasil em 1500. Eles chegaram a ser apenas 400 mil no final da década de 1980, mas, devido à melhoria nos cuidados médicos, sua população agora atinge 700 mil.

Mas a Anistia disse que, se o governo não priorizar os direitos dos índios, "a violência e a pobreza crônica vão continuar a ameaçar a sua existência".

Muitas comunidades rurais do Brasil vêm entrando em conflito com os índios por questões de terra. Em um incidente particularmente violento, 26 garimpeiros foram mortos em um confronto com índios em 2004.

Na maior parte das vezes, porém, os indígenas são as vítimas. Pelo menos 14 crianças índias morreram de desnutrição em uma reserva do Mato Grosso do Sul neste ano, disseram entidades assistenciais neste mês.

Além disso, a Anistia citou a morte por espancamento, em 2003, de um líder kaiowá de 72 anos, diante de sua família. Os suspeitos, que devem ser julgados ainda neste ano, estavam retirando o líder das terras de sua etnia.

"As autoridades brasileiras falharam repetidamente em intervir para prevenir a perda de vidas. Mesmo quando houve repetidos alertas de que grave violência poderia ocorrer no contexto das disputas por terras indígenas ou invasões, como no caso dos xukuru no Estado de Pernambuco, ou dos cinta larga de Rondônia, nenhuma medida foi tomada", disse a Anistia.

Apesar do grande número de reservas indígenas existentes no país -- a maioria na Amazônia --, muitos índios ainda lutam pela demarcação e reconhecimento das suas terras, um processo que pode levar vários anos.

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