A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional acusou a China e a Rússia, dois países-membros do Conselho de Segurança da ONU, de suprirem continuamente armas para o governo do Sudão, que estão sendo usadas na conturbada região de Darfur, pela milícia Janjaweed.
A venda de armas ao governo de Cartum viola um embargo imposto pelas Nações Unidas.
Mas o embaixador do Sudão na Organização das Nações Unidas, Abdel Mahmood Abdel Haleem, disse que as alegações são "infundadas".
A Anistia Internacional afirma ter inclusive fotografias que comprovam o envolvimento destes países, o que é rejeitado por Haleem.
"Estas fotos podem ser de um avião na República Centro Africana ou pode ser de um no sul do Sudão, mas não são de Darfur de forma alguma. Nós não realizamos nenhuma missão de combate em Darfur", disse Haleem.
O conflito em Darfur já matou mais de 200 mil pessoas em quatro anos, e a milícia Janjaweed é acusada de provocar a fuga de moradores locais e de matar dezenas de milhares de pessoas.
Fotos
O relatório da Anistia Internacional fornece fotografias que seriam de um helicóptero de ataque Mi-24 na base de Nyala, em Darfur, e diz que seu registro mostra que a aeronave substitui uma outra.
As imagens teriam sido registradas entre janeiro e março, e durante esse período a Anistia diz que jatos Fanfan chineses também foram vistos em Nyala.
E a ONG de defesa de direitos humanos fornece também fotos de um Antonov 26 - avião militar de fabricação russa, pintado totalmente de branco, com o código de registro ST-ZZZ.
Segundo a organização, aparentemente há "três aviões com este número de registro", e isso os vincula a "bombardeios não confirmados em Darfur".
"O uso de aeronaves totalmente pintadas de branco e de helicópteros (...) em Darfur viola normas em uso de legislação internacional de ajuda humanitária."
O Sudão nega estar utilizando aeronaves pintadas de branco (que costumam ser usadas com propósitos humanitários), mas diz que tem alguns helicópteros dessa cor que são empregados no transporte de autoridades.
A Anistia Internacional diz que seu relatório é baseado no relato de testemunhas de Darfur e em "fontes confidenciais".
China
A China tem uma longa tradição de vender armas ao Sudão, segundo o correspondente da BBC em Pequim, Daniel Griffiths. Em meados deste ano, a China ofereceu uma maior cooperação militar ao país, durante uma visita do comandante das Forças Armadas do Sudão - um sinal de laços estreitos entre as duas nações.
No centro desta relação entre China e Sudão está o petróleo. O Sudão tem grandes reservas e a China precisa do combustível para manter a expansão de sua economia, afirma Griffiths.
Com isso, a China se ganha grande influência em Cartum.
Os Estados Unidos e outros países pediram às autoridades chinesas que usem essa influência para fazer com que o Sudão concorde com a presença de uma força de paz completa das Nações Unidas na região de Darfur.
No passado, a China decidiu não agir. Críticos dizem que os líderes chineses não querem pressionar o Sudão, pois temem que isso possa prejudicar seus laços econômicos e energéticos com o país.
Mas estas críticas podem estar começando a fazer efeito. No mês passado, a China não usou meias palavras para pedir ao Sudão que demonstre maior flexibilidade em relação ao plano de paz das Nações Unidas para Darfur.