Rio de Janeiro, 21 de Agosto de 2026

Angola apóia Brasil na ONU

Segunda, 03 de Novembro de 2003 às 22:33, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu ajuda econômica, pediu o apoio dos organismos internacionais, criticou o protecionismo dos países desenvolvidos e prometeu reduzir os impostos de importação para produtos angolanos em discursos na última segunda-feira, em Luanda, capital de Angola, no segundo dia da sua viagem de uma semana à África.

Em troca, o presidente angolano, José Eduardo dos Santos, apoiou a candidatura do Brasil a membro permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e pediu crédito e ampliação da ajuda para combater a Aids.

- A melhoria das facilidades de crédito e o aumento do volume, seja sob a forma de crédito ao exportador, de ajuda ou de crédito ao desenvolvimento bonificado seria muito bem acolhida pela parte angolana - afirmou Eduardo dos Santos na abertura da reunião entre os dois presidentes e seus ministros.

Em um discurso lido em seguida, o presidente Lula disse que o Brasil precisa fazer 'gestos concretos de generosidade'.

Para um auditório lotado de empresários brasileiros interessados em investir em Angola, Lula anunciou o aumento da linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para investimentos em infra-estrutura, para reconstruir o país destruído pela guerra.

- É chegado o momento de ampliar e diversificar esses investimentos. Para isso, o BNDES irá aumentar linhas de crédito, de modo a facilitar o estabelecimento de empresas brasileiras neste país - disse Lula na abertura do seminário empresarial Brasil-Angola: Comércio e Investimentos.

O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, lembrou que o Brasil não vai ajudar Angola.
 
- Angola é um país com recursos, tem muito petróleo, mas precisa reconstruir a sua infra-estrutura destruída pela guerra - afirmou.

A intenção do governo é aumentar 'em algumas centenas de milhões' como disse Furlan, o volume atual de US$ 1 bilhão de crédito brasileiro. Angola quita parte desta dívida com a exportação de petróleo ao Brasil, e 45% desse volume é devolvido em forma de novos créditos.

 O governo vai estudar 'formas criativas', segundo Furlan, de aumentar o volume de crédito para que empresas possam exportar ou mesmo se instalar em Angola.

Em seus discursos, Lula também citou a necessidade de os países em desenvolvimento se unirem para lutar contra o protecionismo dos países industrializados, que protegem seus mercados e dão subsídios aos produtores agrícolas.
 
- Precisamos coordenar melhor a nossa atuação internacional, inclusive nos foros mundiais - afirmou o presidente na sessão solene da Assembléia Nacional.

- Não tenho dúvida de que o comércio internacional tem grande potencial para gerar a riqueza de que nossas nações necessitam para se desenvolver econômica e socialmente - afirmou.

A partir de janeiro, os Brasil e Angola passarão a integrar o Conselho de Segurança da ONU como membros não permanentes.

- Devemos aproveitar essa coincidência para aumentar nossa sintonia em temas relacionados à paz e à segurança internacionais, em favor da solução pacífica de conflitos e do multilateralismo - afirmou Lula no início do encontro com o presidente angolano.

O presidente também prometeu abrir o mercado brasileiro a produtos angolanos e conceder preferências aos produtos angolanos, aproveitando um mecanismo da Organização Mundial do Comércio (OMC) que permite reduzir tarifas de importação para países em desenvolvimento.

No ano passado, as exportações brasileiras a Angola somaram US$ 199,5 milhões, enquanto as importações foram de apenas US$ 11,6 milhões. A fatia brasileira nas importações angolanas é de 5%. Este ano, o volume de exportações já cresceu 43% entre janeiro e setembro, mas as importações caíram para menos da metade.

As exportações angolanas são de petróleo e outras matérias-primas, enquanto as importaçõ

Tags:
Edições digital e impressa