Os bispos anglicanos no Canadá rejeitaram parcialmente na quarta-feira um pedido da Igreja Anglicana mundial para impor uma moratória à bênção a uniões homossexuais.
Os prelados decidiram não incentivar tais bênçãos por enquanto, mas não chegaram a prometer a moratória das cerimônias, que provocaram a ira de membros ortodoxos da Igreja Anglicana, especialmente na África e na América Latina.
A Casa dos Bispos também rejeitou um apelo para que a igreja canadense se afastasse voluntariamente do Conselho Consultivo Anglicano, um órgão decisório, por causa das bênçãos, praticadas pela diocese de New Westminster, na Columbia Britânica.
Essas bênçãos, junto com a ordenação de um bispo homossexual nos Estados Unidos, ameaça rachar a comunidade anglicana mundial.
O primeiro sinal disso foi o pedido feito há dois meses por líderes anglicanos reunidos na Irlanda do Norte, que pediram à Igreja Anglicana do Canadá e à Igreja Episcopal dos EUA que se afastassem do Conselho Consultivo Anglicano.
A respeito dos rituais de bênção das uniões homossexuais, os bispos canadenses se comprometeram a "nem incentivar nem iniciar o uso de tais ritos até que o Sínodo Geral tome uma decisão a respeito". O Sínodo Geral canadense -- principal instância decisória dos anglicanos no país -- se reúne em 2007. Por enquanto, as bênçãos aos homossexuais de New Westminster vão continuar.
Essas bênçãos não são a mesma coisa que as uniões civis homossexuais, que são legais em sete províncias e um território do Canadá. Uma lei federal para abranger todos os três territórios e dez províncias está no Parlamento.
"Por enquanto, os ritos vão continuar. Não há mudança indicada", afirmou Neale Adams, porta-voz da diocese, à Reuters. Ele disse que o sínodo geral da diocese também vai discutir o assunto na sua próxima reunião, nos dias 13 e 14 de novembro, em Vancouver.
A Casa dos Bispos do Canadá disse que deixaria para que outro grupo -- o Conselho do Sínodo Geral, que se reúne entre 6 e 8 de maio -- decida se deve abandonar o Conselho Consultivo Anglicano.
"Vemos o valor da oportunidade para a reflexão, mas também vemos os riscos inerentes a honrar o pedido", disse os bispos, reunidos nesta semana em Windsor, Ontário.
Eles disseram que apóiam a intenção do arcebispo Andrew Hutchinson de "fazer tudo ao seu alcance para convencer" a reunião de maio a aceitar o pedido.
Os bispos dos EUA já decidiram retirar seus membros do Conselho Consultivo Anglicano, mas pretendem enviar representantes à reunião de junho na Inglaterra para ouvirem e "estarem disponíveis para conversas e consultas".