Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

André Vargas resiste e garante que não renuncia ao mandato parlamentar

Quarta, 23 de Abril de 2014 às 11:38, por: CdB
andre-vargas.jpg
André Vargas (PT-PR), um dos desafetos do presidente do STF, Joaquim Barbosa, mantém seu mandato
O futuro do mandato de André Vargas (PT-PR) na Câmara dos Deputados seguia ainda mais incerto nesta quarta-feira, após o aumento na pressão interna de seu partido para que renuncie e evite, assim, maiores desgastes políticos à legenda, em ano eleitoral. Na véspera, dirigentes petitas já haviam alertado ao deputado licenciado que, se ele não renunciar ao mandato, será expulso da agremiação política. Vargas, no entanto, não apenas resiste como desafia a direção partidária. – Não renuncio. Agora vou até o fim e vou fazer o meu sucessor na vice-presidência da Câmara – afirmou, numa referência ao deputado Luiz Sérgio (RJ). Cotado para substituir o deputado André Vargas, o também petista Luiz Sérgio (RJ) disse, nesta manhã, que a renúncia parlamentar paranaense "é uma decisão de foro íntimo dele". – Respeito a decisão que ele tomar – disse Luiz Sérgio, ex-ministro de Relações Institucionais e um dos principais líderes da legenda no Estado do Rio. O deputado fluminense é visto como integrante do grupo de petistas solidários a Vargas, ao lado de José Mentor (SP). A conduta de Vargas é analisada pela Comissão de Ética do PT e pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara. Depois de renunciar à vice-presidência da Câmara, o petista chegou a dizer que abriria mão do mandato por acreditar que, com isso, se livraria do julgamento no Conselho de Ética. O processo, porém, pode não ser encerrado mesmo com a renúncia do deputado investigado. Depois da divulgação de mensagens obtidas pela Polícia Federal que apontam a proximidade de Vargas com o doleiro Alberto Youssef, preso na operação Lava Jato, o presidente do PT, Rui Falcão tem pressionado Vargas para que renuncie e o líder petista na Câmara, Vicentinho, afirma que Vargas comete um "grande erro" ao fragilizar o governo e o PT por insistir em continuar na Câmara. Segundo Falcão, as denúncias de irregularidades envolvendo o nome dele desgastam ainda mais a imagem do partido, já abalada com o escândalo do 'mensalão'. – Você já deveria ter renunciado para evitar tudo isso – afirmou Falcão, em tom pouco amigável. A reunião, na sede do PT, foi tensa. A portas fechadas, o presidente do PT pediu que Vargas deixe o mandato para não prejudicar o partido e as campanhas eleitorais de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo; de Gleisi Hoffmann à sucessão no Paraná e da própria presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição. Diante da resistência de Vargas – que levou para a reunião os deputados José Mentor (SP) e Luiz Sérgio (RJ) – dirigentes petistas deixaram claro não haver dúvida sobre sua expulsão do PT, uma vez que o caso já está com a Comissão de Ética da legenda. Vargas também é alvo de processo no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, que investiga suas ligações com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, por suspeitas de lavagem de dinheiro e outros crimes. – Nós sabemos que você não vai conseguir sustentar sua versão dos fatos no Conselho de Ética e no plenário da Câmara – disse Falcão a Vargas. Mentor, no entanto, rebateu na hora: – Ele tem o direito de se defender e nós vamos ajudá-lo. Nos bastidores do partido e do governo, Luiz Sérgio, Mentor e o deputado Cândido Vaccarezza (SP) são chamados de "tropa de choque" de Vargas, que diz contar com o apoio de pelo menos um terço da bancada petista na Câmara. Ainda na reunião com a direção nacional do PT, o deputado disse que tem condições de se defender e rechaçou o pedido do dirigente para que abandonasse o mandato em nome da defesa da imagem da legenda. Mais tempo Em uma manobra protelatória socilitada pelo deputado licenciado, o parlamentar José Geraldo (PT-PA) pediu vistas, na véspera ao processo que poderá desaguar na cassação de Vargas, no Plenário da Câmara. Desta forma conseguiu adiar a votação do parecer sobre a admissibilidade do processo disciplinar contra o paranaense, que deveria ter sido votado no Conselho de Ética da Câmara. Agora, o relatório do deputado Júlio Delgado (PSB-MG), que admite a representação apresentada pelos partidos de oposição DEM, PSDB e PPS e recomenda o prosseguimento de ação por quebra de decoro contra Vargas, somente será votado na terça-feira, dia 29. Se o parecer, de quatro páginas, for aprovado, a comissão terá prazo de 90 dias para decidir a punição ao petista, que pode chegar à cassação do mandato. Antes da leitura do relatório de Delgado, o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), disse que vai cumprir o regimento interno no caso do petista. Ele reafirmou que, se Vargas apresentar pedido de renúncia, ela terá efeito imediato e será o suplente será chamado, mas avisou que, mesmo assim, o processo no Conselho de Ética continuará.
Tags:
Edições digital e impressa