Atividade econômica em desaceleração, inflação acima do centro da meta e juro básico praticamente estável em boa parte do ano. Este é o cenário que analistas e empresários traçam atualmente para a economia brasileira em 2009, período ainda repleto de incertezas por conta da agravamento da crise financeira global. As projeções, que constam de pesquisa divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira, não diferem muito do que tem sido projetado nas últimas semanas pelo mercado.
De acordo com o levantamento, a taxa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do país deve desacelerar para 3% em 2009, seguindo o avanço de 5,24% estimado para este ano. Há um mês, as estimativas para o desempenho da economia do país em 2008 e 2009 eram de expansões de 5,23% e 3,10%, respectivamente.
O cenário de inflação, e por tabela o de juros, também sofreram poucas alterações ao longo das últimas semanas. Pelos cálculos dos economistas consultados pelo BC, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2008 ficará em 6,39%, desacelerando para 5,20% no próximo ano. A meta de inflação definida pelo governo é de 4,5%, com margem de variação de 2 pontos percentuais, para cima ou para baixo.
Há quatro semanas, as estimativas apontavam inflação de 6,29% em 2008 e de 5,0% em 2009. Diante deste quadro, as apostas continuam indicando manutenção da taxa básica de juro - a Selic - na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deste ano, marcada para os dias 9 e 10 de dezembro. De acordo com a pesquisa, o juro deve ser mantido em 13,75% no próximo mês e cairá ao longo do próximo ano, chegando a 13,31% em dezembro de 2009.
As projeções para o comportamento do dólar frente ao real ficaram intactas entre as duas últimas semanas. Pelos cálculos, a moeda norte-americana encerrará tanto 2008, quanto 2009, valendo R$ 2,10.
Superávit
A estimativa para o superávit comercial (saldo positivo das exportações menos as importações) neste ano foi ajustada de US$ 23,78 bilhões para US$ 23,6 bilhões. Para 2009, a projeção subiu de US$ 13,32 bilhões para US$ 13,71bilhões. Os analistas mantiveram a projeção de déficit de US$ 30 bilhões no saldo das transações correntes (todas as operações do Brasil com o exterior) em 2008 e alteraram de US$ 31,65 bilhões para US$ 30,03 bilhões no próximo ano.
A projeção para o investimento estrangeiro direto (dinheiro que entra na parte produtiva da economia, a chamada economia real, gerando emprego e renda) em 2008 foi mantida em US$ 35 bilhões e em US$ 25 bilhões, em 2009.
Para este ano, os analistas projetam a dívida líquida do setor público em 39% do PIB, ante a expectativa anterior de 39,04%. Para 2009, a estimativa foi mantida em 38%. Quanto menor a relação entre dívida e PIB, maior é a confiança do investidor na capacidade do Brasil de honrar seus compromissos.