Depois de nove semanas seguidas de queda, a expectativa de inflação dos especialistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central ficou estável. De acordo com o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, com os dados da pesquisa realizada na última sexta-feira, foi mantida a projeção de 3,74% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano. Bem abaixo, portanto, da meta de 4,50% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
De acordo com os economistas da iniciativa privada, o IPCA, que serve de parâmetro para as trajetórias de metas oficiais, ficou em torno de 0,15% no mês de julho e deve dobrar neste mês. Mas o número oficial do mês passado só será divulgado na próxima sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Embora não haja nada à vista, pelo menos a curto prazo, que ameace o controle inflacionário, eles elevaram de 4,41% para 4,45% a previsão de inflação para os próximos 12 meses. Isso, apesar de os preços no atacado terem projeções menores: o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) manteve expectativa de 3,58% e o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) continua com perspectiva de 3,53%.
A única elevação de inflação no varejo aconteceu na capital paulista, onde o Índice de Preços ao Consumidor, medido pela Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (IPC-Fipe) aumentou a projeção de 2,31%, na semana passada, para os atuais 2,32%. Vale lembrar, porém, que se refere apenas ao mercado paulista, enquanto o IPCA faz projeção nacional para as famílias com renda mensal até 40 salários mínimos.
Os preços administrados por contrato ou monitorados (combustíveis, energia elétrica, telefonia, medicamentos, educação, transporte urbano e outros) também mantiveram a projeção de reajustes acumulados ao longo de 2006 em 4,40%, com possibilidade de aumento para 4,50% no ano que vem.
Produção em queda
Os analistas também reduziram a projeção de crescimento em 2006 da produção industrial de 4,15% para 4%, segundo o boletim Focus. A mudança ocorreu após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar, na última sexta-feira, que a produção industrial caiu 1,7% em junho na comparação com maio, a maior queda em nove meses. A previsão para o crescimento da economia brasileiro, no entanto, foi mantida em 3,6%. Essa é a nona semana que a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) fica nesse patamar.
Sobre os juros, os analistas mantiveram a previsão de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorre no final do mês. Dessa forma, a taxa básica de juros da economia iria para 14,5% ao ano. Já a previsão para o ano é que ela caia até 14%. A projeção em relação ao superávit comercial