Rio de Janeiro, 22 de Setembro de 2026

Analistas questionam benefícios para Vale de compra da Noranda

Sábado, 19 de Junho de 2004 às 08:02, por: CdB

Há poucos benefícios óbvios numa eventual compra do controle da mineradora canadense Noranda pela Companhia Vale do Rio Doce, que tem ótimas perspectivas sozinha, avaliaram analistas nesta sexta-feira.

Apesar de alguns dizerem que a forte queda das ações da Vale no início desta semana foi uma reação exagerada do mercado a um possível acordo, outros argumentam que a queda foi justificável devido a algumas dúvidas em relação à expansão da empresa para o norte do continente.

"Não há grande histórico de empresas latino-americanas se expandindo para o exterior, a compra representaria forte mudança no mix geográfico para a Vale, enquanto as sinergias não parecem ser evidentes", disse o analista do Jorge Beristain, do Deutsche Ixe, em Nova York.

A Vale é a maior mineradora e exportadora de minério de ferro do mundo e seu forte são minas com baixos custos de produção e alta qualidade da commodity. A empresa também está explorando bauxita e se preparando para começar a produzir cobre este ano.

A Noranda, por sua vez, é a terceira maior fabricante de zinco e a nona maior produtora de cobre, além de ser importante mineradora de níquel. Os metais que a Noranda produz são negociados nas bolsas internacionais, enquanto os preços da Vale são determinadas pela própria empresa.

"Ao comprar a Noranda a Vale estaria exposta à volatilidade do câmbio e das commodities", disse Fábio Zagatti, do HSBC, em São Paulo. "Agora o ciclo é positivo, mas quando a demanda cair, o minério de ferro tem um impacto menor que o níquel e outros metais".

Analistas estão desenhando vários cenários, como o em que a Vale compra 43 por cento da Noranda, fatia de controle que pertence à canadense Brascan. Outros são o de aquisição de todas ou quase todas as ações da empresa, ou até de apenas unidades específicas de negócios como a de cobre. Dois analistas disseram que outra possibilidade seria uma opção preferencial de compra para a Vale.

Zagatti observou que, na hipótese de compra integral, a margem operacional da Vale --importante medida do fluxo de caixa-- diminuiria bastante. A margem Ebitda da Vale foi de 40 por cento no ano passado, enquanto a da Noranda foi de 17 por cento.

Em termos de escala, Beristain disse que a compra não deve melhorar a posição da Vale no ranking --atualmente quinta entre as maiores produtoras mundiais de metais-- e apenas reduziria a diferença para a quarta colocada, a Alcoa . "Seria um passo, mas não um salto para a Vale", disse ele.

Analistas dizem que o preço da ação da Vale está relativamente atraente depois da recente queda e a maioria tem recomendação de "compra", com projeção de espaço para alta de mais de 60 por cento até o fim do ano.

As ações da Vale despencaram 10,6 por cento entre segunda e quarta-feira, e subiram quase 3 por cento na quinta-feira, quando a empresa disse que não tinha nada substancial para anunciar. Nesta sexta-feira, subiram 0,4 por cento.

Ainda assim, os analistas admitem que uma eventual compra da Noranda pode mudar as perspectivas, dependendo do preço e do tamanho da aquisição. Uma emissão de ações da Vale para pagar pela Noranda teria impacto negativo, disseram eles.

Uma fonte disse à Reuters esta semana que o negócio poderia chegar a 3 bilhões de dólares, o que seria o valor que a Brascan quer por sua parte na mineradora canadense. Analistas dizem que apesar do forte fluxo de caixa da Vale, 3 bilhões de dólares seriam um desembolso alto para a empresa, o que obrigaria uma captação no exterior.

Pedro Roberto Galdi, do ABN Amro, em São Paulo, disse que a Noranda "não tem tido muito sucesso", proporcionando baixos retornos aos investidores que começaram a comprar ações de olha na eventual aquisição pela Vale. Muitos venderam ações da Vale para comprar as da Noranda, o que causou a queda do papel da empresa brasileira, disse Galdi.

O analista disse que o fator preço será crucial mas que a Vale tem obtido sucesso em seus projetos de expansão, o que inspirou a expectativ

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