Analistas de mercado ouvidos semanalmente pelo Banco Central projetam alta de inflação no varejo e no atacado neste ano. A única projeção de queda é a do Índice de Preços ao Consumidor, medido pela Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (IPC-Fipe), que passou de 4,12% para 4,05%. Em 12 meses, a projeção para a variação do varejo na capital paulista é de 3,94%, contra 3,99% da projeção anterior. Neste mês, a expectativa é que o IPC-Fipe fique em 0,34%, 0,02 ponto percentual acima da estimativa anterior.
A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve de parâmetro oficial do governo, deve ficar em 4,45%, em 2008, e em 12 meses deve chegar a 4,26%. A projeção para o ano está dentro da meta do governo de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Para o mês de fevereiro, a estimativa é de 0,53% ao ano. Os preços administrados por contrato ou monitorados (combustíveis, energia elétrica, telefonia, medicamentos, educação, transporte urbano e outros) continuam estáveis na pesquisa em 3,70% neste ano. Em 2009, a previsão é que os preços desses produtos e serviços aumentem 4%.
No atacado em 2008, os analistas projetaram a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), a 5,05% (0,85 ponto percentual acima do previsto na semana anterior) e pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) a 5,06% (contra a estimativa anterior de 5,04). Em 12 meses, a expectativa para estes mesmos índices é de 4,63% e de 4,51%. No mês, a projeção é de 0,45% e de 0,50%, respectivamente.
Os resultados da pesquisa, constam no boletim Focus, também chamado de Relatório de Mercado. A pesquisa é realizada todas as sextas-feiras com 100 instituições financeiras e divulgado sempre às segundas-feiras, pela manhã.
Relação dívida/PIB
A projeção de analistas de mercado financeiro para a relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, caiu de 41,80% para 41,60% neste ano. Para 2009, essa relação também foi reduzida, passando de 40% para 39,70% do PIB. Quanto menor a relação entre dívida e PIB, maior é a confiança dos investidores brasileiros e estrangeiros de que o país vai honrar seus compromissos. A expectativa também consta no boletim Focus.
A dívida pública brasileira é a soma dos débitos dos governos federal, estaduais e municipais. Esse valor, chamado de dívida líquida do setor público, desconta o que os governos têm a receber de empresas privadas ou de outros governos. A projeção para o crescimento do PIB ficou estável em 4,50%, em 2008, e em 4,06%, no próximo ano, assim como foi mantida a estimativa para a produção industrial em 5% e em 4,5%, no mesmo período.
Com relação ao investimento estrangeiro direto (capital que se destina ao setor produtivo), os analistas aumentaram a projeção de US$ 28 bilhões para US$ 30 bilhões, em 2008. Para o próximo ano foi mantida a estimativa de US$ 25 bilhões. Quanto à taxa básica de juros, a Selic, os analistas continuam com a previsão de que será mantida em 11,25% em 2008. Anteriormente, os especialistas esperavam que a Selic ficassem em 11,13% ao final deste ano, mas com as turbulências externas, os analistas esperam por manutenção da taxa de juros no atual patamar.
Para 2009, a projeção se mantém em 10,25%. Para definir a taxa Selic, o Comitê de Política Monetária (Copom) leva em consideração o cenário macroeconômico, como a inflação e o mercado externo. A próxima reunião do comitê está marcada para 4 e 5 de março. Em razão da desvalorização do dólar norte-americano, que deve terminar 2008 cotado a R$ 1,80, os analistas sustentam que o saldo da balança comercial (exportações menos importações) chegará a US$ 30 bilhões, mesmo valor estimado na semana anterior. Para o próximo ano, a estimativa foi alterada de US$ 29,56 bilhões para US$ 25,28 bilhões.
Com isso,