A projeção dos analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central sobre o desempenho da economia neste ano piorou e melhorou a expectativa para 2010. Para eles, a queda do Produto Interno Bruto (PIB), soma de bens e serviços produzidos no país, neste ano, será de 0,38% e não mais de 0,34%, previstos na semana passada. A expectativa de queda da produção industrial no ano, porém, passou de 6,29% para 6%.
No próximo ano, os analistas apostam em recuperação da economia, com crescimento de 3,60% do PIB. A previsão está um pouco melhor do que a do boletim da semana passada, que era de crescimento de 3,50%. Para a produção industrial em 2010, foi mantida a estimativa de crescimento de 4,50%. Na avaliação dos analistas, a relação entre dívida líquida do setor público e PIB deve chegar a 41,50% neste ano. A previsão anterior era de 41,30%. Para 2010, a estimativa foi mantida em 40%. O dólar deve valer R$ 1,90 ao final de 2009 e R$ 1,97 ao fim de 2010. As estimativas anteriores eram de R$ 1,95 e R$ 2, respectivamente.
A projeção para o superávit comercial (saldo positivo de exportações menos importações) subiu de US$ 23 bilhões para US$ 23,1 bilhões, neste ano. Para 2010, a expectativa foi ajustada de US$ 19,7 bilhões para US$ 19 bilhões. Para o déficit em transações correntes (registro das compras e vendas de mercadorias e serviços do Brasil com o exterior), a estimativa passou de US$ 15,1 bilhões para US$ 15 bilhões neste ano e de US$ 22,25 bilhões para US$ 22,05 bilhões em 2010.
A estimativa para o investimento estrangeiro direto (recursos que vão para o setor produtivo do país) foi mantida em US$ 25 bilhões neste ano e subiu para US$ 27,1 bilhões em 2010. Para a taxa básica de juros, os analistas mantiveram a previsão de que não haverá mais cortes neste ano. A estimativa do mercado é de que a Selic feche o ano no atual patamar de 8,75% ao ano.
Neste ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu os juros básicos em cinco pontos percentuais de janeiro até a última reunião realizada no mês passado. Em 2010, a expectativa é que os juros subam e encerrem o período em 9,25% ao ano.
IPCA em queda
Ainda segundo as projeções dos analistas do mercado financeiro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em queda. A estimativa para o índice neste ano passou de 4,53% para 4,50% e em 2010, de 4,40% para 4,35%. A informação também consta do boletim Focus, publicação semanal do Banco Central, elaborada com base em projeções de instituições financeiras sobre os principais indicadores da economia.
O IPCA é o índice escolhido pelo governo para a meta de inflação, que tem como centro 4,5% e margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A meta é válida para 2009 e para 2010. No mercado paulista, a estimativa para o Índice de Preço ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) subiu de 4,16% para 4,17%.
No caso da inflação medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) a expectativa é de deflação de 0,01% neste ano. A estimativa anterior para o período era de alta de 0,30%. Segundo o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), o IGP-M fechou o mês de julho em queda de 0,43%. Foi a quinta queda consecutiva da taxa, usada para corrigir aluguéis, financiamentos imobiliários e consórcios. Em 12 meses, o índice acumula deflação de 0,67%.
A projeção para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) passou de 0,50% para 0,33%, neste ano. As estimativas para o IGP-DI, IGP-M e IPC-Fipe em 2010 foram mantidas em 4,5% em 2010.