O mercado financeiro voltou a elevar a estimativa de inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2009, que subiu de 4,23% para 4,30% na última semana. O IPCA é o índice usado pelo governo para traçar as metas de inflação. A projeção consta do relatório semanal Focus, do Banco Central, que registra as estimativas do mercado financeiro para os principais indicadores da economia.
Analistas e investidores também projetam elevação na dívida líquida do setor público, que aumentaria de 37% para 37,17% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Quanto menor a relação entre dívida e PIB, maior é a confiança do investidor de que o país é capaz de honrar seus compromissos. Na outra ponta, o mercado melhorou a expectativa para PIB, que passou de -0,49% passou para -0,39%. Já a produção industrial cairia de -3,75% para -4,0%.
As taxas de câmbio e de juros básicos permaneceram inalteradas nas projeções. O dólar deve continuar em R$ 2,25 e a taxa básica de juros (Selic) deve permanecer em 9,25% até o final do ano. Esta semana o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) se reúne para definir a tendência dos juros para os próximos 45 dias. Atualmente, a Selic está em 11,25% ao ano.
Do lado das contas externas, o déficit em conta corrente passaria de US$ 20 bilhões para US$ 19,50 bilhões, com o saldo da balança comercial permanecendo inalterado em US$ 16 bilhões. Há seis semanas, a estimativa para os investimentos estrangeiros diretos está em US$ 22 bilhões. Os analistas projetam queda nos preços administrados, de 4,50% para 4,45%. Os preços administrados referem-se aos valores cobrados por serviços monitorados (combustíveis, energia elétrica, telefonia, medicamentos, água, educação, saneamento, transporte urbano coletivo e outros).
Juros em queda
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deverá reduzir a taxa básica de juros dos atuais 11,25% para 10,25% ao ano na reunião desta quarta-feira. A expectativa também consta na pesquisa semanal do BC. A crise econômica já levou a instituição a reduzir os juros neste ano de 13,75% ao ano para o patamar atual. Essa é a maior sequência de cortes desde 2003. A previsão é de que a taxa básica de juros (Selic) deva chegar a 9,25% ao ano até o final de 2009.
O corte nos juros tem sido motivado pela expectativa de desaceleração da economia brasileira. De acordo com o boletim Focus, os economistas esperam uma queda do Produto Interno Bruto (PIB, a soma das riquezas produzidas no país) de 0,39% neste ano. O número está abaixo das previsões do governo, que espera um crescimento de 2%, segundo dados do Orçamento.
A pesquisa também mostra uma piora na previsão para o desempenho da indústria neste ano, de -3,75% para -4%.