O mercado brasileiro elevou, pela segunda semana seguida, seu prognóstico para a taxa básica de juro Selic neste ano. O cenário para a inflação ficou estável, enquanto para o crescimento teve leve aumento, segundo o boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira. A estimativa para a Selic neste ano passou para 11,25%, ante 11% na semana anterior. A projeção para 2010 aumentou para 11%, contra 10,75% no documento anterior.
A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) do ano foi elevada para 5,30%, contra 5,20% na semana anterior. A estimativa para a expansão em 2011 permaneceu em 4,5%. O prognóstico para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano e do próximo permaneceu em alta de 4,50%, exatamente no centro da meta perseguida pelo governo, que tem tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.
Comércio exterior
Ainda de acordo com o boletim, o constante aumento na perspectiva de queda da balança comercial (exportações menos importações) induz os analistas financeiros a aumentar a expectativa de déficit da conta corrente, que envolve todas as transações comerciais e financeiras com o exterior. A projeção anterior, de déficit de US$ 41,30 bilhões neste ano, passou para US$ 45,50 bilhões.
O comportamento da balança comercial, segundo a previsão dos analistas ouvidos pelo BC, neste ano, será de mais deterioração do que no ano passado, quando o superávit fechou pouco acima de US$ 25 bilhões. Para 2010 eles estimam saldo de apenas US$ 10,75 bilhões, contra perspectiva de US$ 11,20 bilhões na semana anterior.
Quanto ao câmbio, os analistas projetam que o dólar norte-americano chegará ao final deste ano no nível atual, com valor de R$ 1,75. Para o fechamento de 2011, projetam valorização do dólar para R$ 1,83. Isso, considerando que os investimentos estrangeiros diretos (IED) no setor produtivo acumulem entradas de US$ 37 bilhões neste ano e US$ 39,20 bilhões no próximo ano.
Segundo o boletim, a inflação no varejo terá comportamento estável, tanto neste ano quanto em 2011, com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no centro da meta de 4,5%, determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Os analistas mantiveram a projeção de que os preços administrados (energia, combustíveis, telefone, saúde, medicamentos e outros) serão ajustados em 3,50% neste ano e em 4,35% no ano que vem.