O mercado melhorou a previsão para o desempenho da economia brasileira em 2009, mas elevou as estimativas de inflação deste e do próximo ano, mostrou o relatório Focus, divulgado pelo Banco Central (BC), nesta segunda-feira. As instituições financeiras consultadas pelo BC esperam agora retração de 0,34% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, ante estimativa anterior de declínio de 0,50%.
Para 2010, a projeção continua sendo de crescimento de 3,5% da economia. No caso da inflação, o prognóstico é de que o IPCA suba 4,50% em 2009 – ficando no centro da meta perseguida pelo BC – frente à projeção anterior de 4,42%. O IPCA do próximo ano deve avançar 4,40% pelas novas estimativas, ante alta de 4,33% projetada na semana anterior.
A previsão para o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) em 2009 caiu de 1,35% para 0,95%. Para o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), a expectativa foi ajustada de 0,89% para 0,50%. Na capital paulista, o Índice de Preço ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) deve ficar em 4,10% e não mais em 4,13%. Para 2010, as projeções para os três índices foram mantidas em 4,5%.
A expectativa para os preços administrados passou de 4,33% para 4,30% neste ano e de 3,90% para 3,80% em 2010. Os preços administrados referem-se aos valores cobrados por serviços monitorados (combustíveis, energia elétrica, telefonia, medicamentos, água, educação, saneamento, transporte urbano coletivo e outros).
A previsão para o juro básico foi mantida em 8,75% ao ano no final de 2009 e em 9,25% no encerramento de 2010. As instituições mantiveram pela terceira semana a perspectiva de que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza a Selic em 0,50 ponto percentual na reunião da próxima semana, para 8,75%. A estimativa para a produção industrial piorou, saindo de queda de 5,37% na semana anterior para declínio de 6,0%.
Indústria
No caso da produção industrial, a estimativa passou de queda de 5,37% para 6%. Mas os analistas de mercado mantiveram a projeção de recuperação no próximo ano com crescimento do PIB de 3,5%. Em 2010, no entanto, o setor industrial também deve se recuperar. A previsão de crescimento da indústria, para os analistas de mercado, no próximo ano, passou de 4,03% para 4,08%. Há quatro semanas, o indicador estava em 4,03%. A relação entre dívida líquida do setor público e PIB subiu de 40,40% para 40,50% neste ano e caiu de 39,19% para para 39,10% no próximo ano.
O dólar deve chegar ao final de 2009 valendo R$ 2 e não mais R$ 1,99 previsto no boletim anterior. Ao final de 2010, a moeda americana deve custar R$ 2, a mesma estimativa há três semanas. A projeção para o superávit comercial (saldo positivo de exportações menos importações) permaneceu em US$22 bilhões. Para 2010, a expectativa foi ajustada de US$ 19,5 bilhões para US$ 19 bilhões.
Para o déficit em transações correntes (registro das compras e vendas de mercadorias e serviços do Brasil com o exterior), a projeção foi mantida em US$16 bilhões neste ano e em US$ 22 bilhões em 2010. A estimativa para o investimento estrangeiro direto (recursos que vão para o setor produtivo do país) foi mantida em US$ 25 bilhões neste ano. Para 2010, a projeção de entrada desses recursos subiu de US$ 26 bilhões para 26,3 bilhões.