Economistas do setor privado, ouvidos por pesquisa do Banco Central, admitiram um tímido crescimento de 3,51% na soma das riquezas produzidas no país ao longo de 2006. Nos 13 meses anteriores (52 semanas), eles apostaram que a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) não passaria de 3,5%. A nova perspectiva de crescimento, no entanto, ainda continua muito distante da projeção de 4% do próprio Banco Central e da expectativa de 4,5% anunciada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. De acordo com o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, a projeção de crescimento da produção industrial no ano manteve-se em 4,5%, com perspectiva de igual índice para 2007.
Não houve, portanto, nenhuma alteração na projeção de relação entre dívida líquida do setor público e PIB, que deve encerrar o ano em 50,5%. Ou seja, a dívida seria equivalente a mais da metade de todo a produção nacional. A pesquisa semanal do BC é realizada com uma centena de especialistas de mercado para avaliar as tendências dos principais indicadores da economia. A consulta atual revela calma nas perspectivas de mercado.
Houve uma leve melhora na expectativa de entrada de investimento estrangeiro direto (IED), que era de US$ 15,06 bilhões e passou para US$ 15,4 bilhões neste ano. A projeção de US$ 16,5 bilhões em 2007 caiu para US$ 16,3 bilhões. Os analistas de mercado reduziram levemente, para US$ 40,32 bilhões, a projeção de saldo comercial (exportações menos importações) deste ano e mantiveram a expectativa de US$ 36 bilhões para o saldo no ano que vem. Também permanecem com a estimativa de US$ 9 bilhões para o saldo de conta corrente, que envolve todas as transações comerciais e financeiras com o exterior.
São projeções que, de acordo com o cenário de mercado, apostam no valor máximo de R$ 2,20 para a cotação do dólar no final de 2006 e valorização de R$ 2,33 no final de 2007. Elas consideram, ainda, que a taxa básica de juros (Selic), atualmente de 15,75% ao ano, deve cair para 14% ainda neste ano (13% no ano que vem).