Quarta, 12 de Fevereiro de 2014 às 12:40, por: CdB
A Petrobras espera que relação de dívida líquida/Ebitda retorne em 2014 ao limite definido pela empresa
Tanto no Brasil, quanto no exterior, há quem aposte que a Petrobras vira o jogo ainda este ano, com o aumento da produção de petróleo em 2014, após uma desvalorização acionária superior a 50% nos últimos quatro anos. O ponto de virada para as ações pode ocorrer a partir do segundo semestre, assim que ficar mais claro o aumento de produção, estimado entre 5% e 6,5% neste ano por analistas de mercado e especialistas da indústria petrolífera ouvidos pela agência inglesa de notícias Reuters.
Mas alguns consultores apontam fragilidades da Petrobras, como a defasagem no preço dos derivados, que gera prejuízos bilionários para a divisão de Abastecimento, e o elevado endividamento da companhia para fazer frente aos vultosos investimentos exigidos pelo pré-sal. A dívida e a defasagem podem limitar o ímpeto decorrente de um aumento de produção. Na dúvida, comprar ou vender Petrobras?
Bom vender
Uma série de relatórios de bancos de investimentos, porém, aponta que o esperado aumento da geração de caixa da Petrobras neste ano não é suficiente para eliminar as dúvidas do mercado quanto à capacidade da empresa de bancar o plano de investimentos de US$ 237 bilhões em cinco anos (o maior do mundo). A empresa produziu 1,93 milhão de barris de petróleo por dia no Brasil em 2013, retroagindo a patamares de cinco anos atrás.
Alguns especialistas da indústria petrolífera comparam a atual experiência da Petrobras no pré-sal com seu pioneirismo em águas profundas, na década de 1980. Na ocasião, a estatal estava dividida em se lançar no ousado plano de exploração a profundidades superiores a 500 metros, com muitos críticos questionando a viabilidade comercial e sua capacidade financeira para a empreitada.
– A comparação com a década de 80 é válida para ilustrar o aspecto da produção, do desafio tecnológico, mas naquela época o caixa da Petrobras não era tão ruim quanto está hoje – ponderou o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires.
Pires teme que as importações de gasolina e diesel sem o repasse de preços internacionais ao mercado interno continuem afetando o resultado da empresa. Com as eleições neste ano, ele e vários outros analistas avaliam que um necessário aumento de preços dos combustíveis, se não ocorrer logo, ficará para depois do período eleitoral, no final de 2014.
Isso prolongaria a agonia imposta pelo governo, sócio controlador da empresa, que teme efeitos inflacionários e segura repasses. A política tem gerados grandes prejuízos para a divisão de Abastecimento da empresa, que registrou perdas de R$ 5,52 bilhões no terceiro trimestre, contra prejuízo de US$ 5,65 bilhões em 2012.
Melhor comprar
Após dois anos de queda na produção e de outros dois de crescimento inexpressivo, a estatal brasileira vai conseguir retomar o fôlego em 2014 rumo à ousada meta de extrair 4,2 milhões de barris de petróleo equivalente por dia em 2020 – volume que faz jus às maiores descobertas do mundo realizadas na década passada.
– Perdemos um pouco de tempo, mas agora vai – afirmou à jornalista da Reuters Sabrina Lorenzi o analista Caio Carvalhal, da divisão de petróleo do JP Morgan, para quem a produção crescerá cerca de 5% em 2014, desempenho que não ocorria desde 2009.
Analistas são unânimes nas projeções de alta na produção. Itaú BBA estima alta 6,5%, enquanto o HSBC prevê aumento entre 5% e 6% no volume, em linha com a maioria dos relatórios sobre o assunto. Os bancos estimam volumes crescentes ao longo dos próximos anos, com a consolidação da extração no pré-sal. A retomada ocorre após a produção ter sido afetada por atrasos na entrega de equipamentos por fornecedores e mais rigor nas normas de manutenção de plataformas impostas pelo órgão regulador do setor, a ANP, o que elevou o número de paradas nas unidades.
O geólogo e consultor John Forman, ex-diretor da ANP, ponderou que a queda de produção da Petrobras nos últimos anos era esperada, devido ao redirecionamento dos projetos da companhia logo após as descobertas gigantes do pré-sal, em meados da década passada. Mas, a partir deste ano, a petroleira aumentará a produção com a operação de projetos atrasados e a entrada de plataformas previstas no cronograma de 2014, com pelo menos nove sistemas novos de produção ou em fase de crescimento (ramp-up).
A Petrobras ainda não falou oficialmente sobre números para a produção em 2014. O aumento da produção da Petrobras, segundo alguns especialistas, resultará em maior geração de caixa, pré-requisito para reduzir seu endividamento --o calcanhar de Aquiles da empresa.
– O mercado vê três razões para investir: produção, produção e produção... os outros problemas se equacionam como consequência – disse o analista do JP Morgan.
Mas o processo de recuperação dos papéis da estatal não deverá ocorrer imediatamente, comentou Carvalhal, fazendo coro a outros especialistas. O especialista do JP Morgan ressaltou ainda que parte do problema com a defasagem de derivados vendidos pela estatal a custos menores que os de importações será aliviado com a entrada em operação da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, no final do ano.
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