Analistas do mercado financeiro esperam uma retração menor da economia neste ano, segundo o boletim Focus, divulgado todas as semanas pelo Banco Central (BC). A previsão para a queda do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, passou de 0,38% para 0,35%. No caso da produção industrial, a estimativa de retração neste ano piorou, passando de 6% para 7,31%.
A projeção veio depois de o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgar na semana passada, que, no primeiro semestre deste ano, a produção industrial acumulou queda de 13,4% na comparação com o resultado do mesmo período de 2008. Esse foi o pior desempenho desde o início da série histórica da Pesquisa Industrial Produção Mensal Física, em 1975.
Em 2010, no entanto, a expectativa é de melhora da economia, com crescimento do PIB de 3,60%, a mesma estimativa da semana anterior. Para a produção industrial no próximo ano, a estimativa de alta passou de 4,5% para 5%. Na avaliação dos analistas, a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB deve chegar a 41,50% neste ano e a 40% em 2010, as mesmas estimativas anteriores.
O dólar deve valer R$ 1,90 ao final de 2009 e do próximo ano. A previsão anterior para 2010 era de R$ 1,97 e para este ano era a mesma divulgada nesta segunda-feira. A projeção para o superavit comercial (saldo positivo de exportações menos importações) neste ano caiu de US$ 23,1 bilhões para US$ 23 bilhões. Para 2010, a expectativa foi ajustada de US$ 19 bilhões para US$ 18 bilhões.
Para o deficit em transações correntes (registro das compras e vendas de mercadorias e serviços do Brasil com o exterior), a estimativa foi mantida em US$ 15 bilhões neste ano e foi alterada de US$ 22,050 bilhões para US$ 22 bilhões em 2010. A expectativa para o investimento estrangeiro direto (recursos que vão para o setor produtivo do país) foi mantida em US$ 25 bilhões neste ano e ajustada de US$ 27,1 bilhões para US$ 27,550 bilhões, em 2010.
Inflação
Os mesmos analistas do mercado financeiro esperam por uma inflação menor. A estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 4,50% para 4,40% em 2009. Para o próximo ano, também houve redução da projeção, de 4,35% para 4,32%.
O IPCA é o índice escolhido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para a meta de inflação, que tem como centro 4,5% para este e o próximo ano. O BC usa a taxa básica de juros, a Selic, para controlar a inflação e assim perseguir a meta estabelecida pelo CMN. Neste ano, a Selic teve queda de 5 pontos percentuais e, na avaliação dos analistas, não deve haver mais reduções. Atualmente, a taxa básica está em 8,75% ao ano. Em 2010, a expectativa é que a Selic suba e encerre o período em 9,25% ao ano, a mesma estimativa do boletim anterior.
A projeção para o Índice de Preço ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) neste ano também diminuiu, de 4,17% para 4,11%.
Já as estimativas para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) e para o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) são de deflação neste ano: 0,18% e 0,23%, respectivamente. No boletim da semana passada, a projeção para o IGP-DI era de alta de 0,33%. No caso, do IGP-M, os analistas previam deflação de 0,01%. Em 2010, a expectativa é de alta de 4,5% para o IPC-Fipe, IGP-DI e IGP-M.
A projeção para os preços administrados foi mantida em 4,30% neste ano e caiu de 3,70% para 3,50% em 2010. Os preços administrados referem-se aos valores cobrados por serviços monitorados (combustíveis, energia elétrica, telefonia, medicamentos, água, educação, saneamento e transporte urbano coletivo, entre outros).