Rio de Janeiro, 22 de Fevereiro de 2026

Analista defende que Argentina aposte para valer no Mercosul

A Argentina deve apostar de verdade no Mercosul, defendeu o historiador e analista político uruguaio Gerardo Caetano em entrevista para comentar as eleições argentinas, marcadas para 28 de outubro. “Isso implica impulsionar um conjunto de medidas de aprofundamento do bloco, que entre outras coisas incorpore o tema do reconhecimento das assimetrias [econômicas] dos sócios menores”. (Leia Mais)

Domingo, 07 de Outubro de 2007 às 10:58, por: CdB

A Argentina deve apostar de verdade no Mercosul, defendeu o historiador e analista político uruguaio Gerardo Caetano em entrevista para comentar as eleições argentinas, marcadas para 28 de outubro.

“Isso implica impulsionar um conjunto de medidas de aprofundamento do bloco, que entre outras coisas incorpore o tema do reconhecimento das assimetrias [econômicas] dos sócios menores”, disse, referindo-se a Paraguai e Uruguai.

Essa questão das assimetrias é um dos pontos de conflito que a Argentina não está procurando resolver, segundo Caetano. Ele afirma que os argentinos não estão acompanhando as tentativas brasileiras de melhorar a situação econômica dos outros membros.

O historiador explica que, no último ano, o Brasil tem sido ativo na tentativa de amenizar as diferenças econômicas. “E houve grandes avanços nessa perspectiva, entre outras coisas por tudo o que o Brasil quis impulsionar como base de um acordo para o reconhecimento das assimetrias e que não foi aceito pela Argentina”.

O doutor em ciência política e professor aposentado de História da Política Exterior do Brasil Luiz Alberto Moniz Bandeira discorda que a Argentina não se preocupe com o Mercosul. “A Argentina tem mais consciência do Mercosul do que o Brasil. Eu não estou falando o povo, mas a elite de lá tem muito mais consciência, o Brasil está muito voltado para si próprio”, afirmou.

Para Moniz Bandeira, “não há saída para a Argentina fora do Mercosul, como também para o Brasil [a integração] é importante para negociação internacional”. Ele ressalta, ainda, a importância da entrada da Venezuela para o fortalecimento do bloco – a adesão ainda não foi aprovada pelos parlamentos brasileiro e paraguaio.

“É um país fundamental para o Mercosul”, diz. “É um país riquíssimo... petróleo, gás, bauxita e tudo o mais que você imaginar. Está situado na bacia do Amazonas, à margem do Caribe, o que você quer mais do que isso para completar o eixo que formaria a União Sul-Americana de Nações hoje?”, questiona.

Para o professor, o maior problema do Mercosul não são os governos dos países que o compõem, mas suas burocracias internas, não só do Brasil, mas também da Argentina, do Uruguai, do Paraguai. “Os governos chegam a um acerto, mas a burocracia...”

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