Rio de Janeiro, 24 de Agosto de 2026

ANÁLISE-Preocupação dos EUA com Afeganistão e Paquistão continua

Segunda, 02 de Maio de 2011 às 06:51, por: CdB

ANÁLISE-Preocupação dos EUA com Afeganistão e Paquistão continua

Por Missy Ryan

WASHINGTON (Reuters) - A morte de Osama bin Laden foi comemorada por muitos norte-americanos, mas seu desaparecimento dificilmente irá revigorar os laços fragilizados do governo dos EUA com Islamabad ou atenuar os intensos combates no Afeganistão.

O presidente norte-americano, Barack Obama, anunciou na noite de domingo que o líder da Al Qaeda foi morto a tiros em Abbottabad, perto da capital paquistanesa, encerrando os esforços norte-americanos de mais de uma década para capturar o homem por trás dos ataques de 11 de setembro de 2011.

Analistas e autoridades alertaram que os EUA não devem esperar um final rápido para seus problemas em uma região onde sua política foi norteada nos últimos dez anos pelo temor de outro atentado semelhante.

"É importante que os EUA e seus aliados europeus lembrem que ainda há muito trabalho a fazer", disse um alto funcionário ocidental em Cabul sob condição de anonimato.

"Isto não muda o fato de que há uma insurgência que é uma ameaça existencial ao governo do Afeganistão, e que o Paquistão é um problema complexo que é uma ameaça à segurança regional", acrescentou.

O governo Obama se vê às voltas com uma violência recorde no Afeganistão no momento em que se prepara para começar a retirar parte dos 100 mil soldados em julho.

Os laços com Islamabad, importante aliado dos EUA contra militantes, chegaram perto do rompimento por conta dos ataques com aeronaves não-tripuladas contra insurgentes ao longo da fronteira do Paquistão com o Afeganistão e do aprisionamento de um contratado da CIA durante seis semanas no Paquistão no início deste ano.

No mês passado o almirante Mike Mullen, que preside o Estado-Maior Conjunto dos EUA, acusou a agência de inteligência paquistanesa de manter laços com militantes que miram tropas dos EUA no Afeganistão.

Obama, falando em uma coletiva de imprensa realizada às pressas no final da noite, disse que a cooperação do Paquistão ajudou a levar as forças dos EUA a Bin Laden. Mas fontes norte-americanas e paquistanesas familiarizadas com detalhes da operação disseram que as forças dos EUA encurralaram Bin Laden virtualmente pelas costas do Paquistão.

Isso pode ser um sinal da crescente frustração em Washington com o Paquistão, um dos maiores destinatários de ajuda militar norte-americana fora da Otan, a respeito do que autoridades dos EUA dizem ser a falta de disposição de Islamabad para fazer o suficiente contras os militantes que lançam ataques contra soldados dos Estados Unidos no Afeganistão.

Embora Obama o tenha classificado como "um dia bom e histórico" para os dois países, também repreendeu o Paquistão, exortando-o a "continuar a se juntar a nós na luta".

A euforia em Washington foi difícil de ver no Afeganistão, onde cerca de 130 mil militares estrangeiros se preparam para uma ofensiva sangrenta na primavera local contra um resistente Taliban.

O governo Obama creditou a reconquista de algumas áreas dominadas pelo Taliban a um aumento de tropas no Afeganistão, mas o Pentágono também alerta que a violência deve continuar piorando.

(Reportagem adicional de Mark Hosenball, em Washington, e Rebecca Conway, em Islamabad)

Reuters

Tags:
Edições digital e impressa