Rio de Janeiro, 15 de Setembro de 2026

Ana Paula chega 'emocionada e tranquila' ao Brasil, diz Greenpeace

Sábado, 28 de Dezembro de 2013 às 13:21, por: CdB
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Ana Paula, após chegar ao Brasil, disse que sentia falta de um bom churrasco
A ativista brasileira do Greenpeace Ana Paula Maciel chegou ao Brasil na manhã deste sábado, depois de passar quase três meses na Rússia detida por "vandalismo" após participar de um ato em defesa do meio ambiente a bordo do navio quebra-gelo Artic Sunrise. De acordo com a assessoria da organização ambientalista, a bióloga de 31 anos chegou por volta das 7h no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, e embarcou para Porto Alegre, onde encontraria sua família e passará o Ano Novo. Ainda de acordo com a assessoria do Greenpeace, Ana, que saiu às 20h locais da Rússia na véspera, está "emocionada, tranquila e ansiosa para rever a família". Os 30 tripulantes da embarcação Artic Sunrise foram detidos nas águas do Ártico em 19 de setembro pela guarda fronteiriça quando tentavam subir na plataforma Prirazlomnaya, da Gazprom, que segundo o Greenpeace descumpre medidas de segurança e ameaça o ecossistema da região. Ana Paula desembarcou com um ursinho polar de pelúcia na mochila e uma faixa com a inscrição "Salve o Ártico", em português, às 11h deste sábado em Porto Alegre.  Amigos e familiares aguardavam a bióloga com presentes no saguão do Aeroporto Internacional Salgado Filho. Na chegada, eles gritavam, em coro, o nome de Ana Paula. — Estes dois meses foram o período mais difícil da minha vida, mas não me arrependo. Estou feliz com a repercussão. Valeu a pena — falou em uma entrevista coletiva na Capital. Após a chegada, Ana Paula seguiu com a família ao Restaurante Barranco, no bairro Petrópolis. Ana Paula disse que sentia saudades de um churrasco.  A ativista fez uma escala em Frankfurt, na Alemanha, e desembarcou às 7h em Guarulhos, na Grande São Paulo. — Chorei tudo que tinha para chorar em Frankfurt, quando vi que realmente estou livre. Estou muito feliz em voltar para casa, mas ainda apreensiva porque não devolveram nosso navio — afirmou, referindo-se ao barco Arctic Sunrise, apreendido pelas autoridades. Em entrevista a jornalistas, em Porto Alegre, Ana Paula afirmou que a pressão internacional foi fundamental para a libertação e descreveu os dois meses que passou na prisão. Contou que não tinha paz dentro da cela em função dos gritos dos carcereiros. Questionada se pretende publicar o diário que escreveu na prisão, disse apenas: – Vamos pensar, vamos pensar. A bióloga acredita que o lobby petrolífero foi um dos motivos que levou à repressão. Disse que não considera a Rússia uma democracia porque a justiça não é independente. Relatou que os juízes recebiam telefonemas em meio às audiências e mudavam de postura. Segundo a ativista, a campanha pelo Ártico continuará e ela seguirá fazendo protestos, mas ela não pretende voltar tão cedo ao país governado por Vladimir Putin. Ana Paula classificou este como "um dos episódios mais vergonhosos das campanhas do Greenpeace", sobretudo no Ártico, mas, embora tenha sido o período mais crítico de sua vida, a gaúcha diz que não se arrepende de nada e entende que a prisão valeu a pena porque reforçou a causa que defende, além de mostrar para o mundo como funciona o governo russo. Segundo ela, a extração de petróleo é um assunto de conexão do ambiente global e "se derreter o Ártico os danos serão enormes, a Amazônia pode virar deserto". Ao ser questionada sobre a relação com o governo russo, ela afirmou que não pretende voltar tão cedo para o país, mas isso não será motivo para distanciá-la do ativismo: –  Enquanto a gente não tiver um santuário no Ártico eu não vou parar  – afirmou a ambientalista. A ideia do santuário integra a campanha do Greenpeace, que luta por um tratado internacional semelhante ao que preserva a região antártica, onde é proibida a exploração de recursos naturais. Ana Paula disse que pretende descansar por um ou dois meses. Seu plano é, depois, ir para a Nova Zelândia participar de um projeto em defesa das orcas. Com a prisão dos ativistas, a bióloga considera que a Rússia fez uma tentativa frustrada de cercear a liberdade de expressão do grupo. Na opinião dela, o governo russo agiu por pressão da empresa Gazprom, mas voltou atrás porque não esperava tamanha repercussão do caso. – A nossa liberdade foi uma forma que o governo russo encontrou para sair do buraco em que ele mesmo se enfiou. Jamais esperariam tamanha repercussão. A mobilização dos brasileiros e da imprensa foi fundamental para que eu fosse solta – concluiu.
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