Rio de Janeiro, 10 de Outubro de 2026

Ampliação de linhas públicas de crédito soma R$ 44 bilhões desde o início da crise global

Para injetar mais de R$ 360 bilhões na economia brasileira em três meses, o governo não recorreu apenas a medidas monetárias. Além de mudar a legislação bancária e atuar no mercado de câmbio, a equipe econômica reforçou as linhas oficiais de crédito e cortou impostos para socorrer os setores mais afetados pela escassez de crédito, como a indústria automotiva, os exportadores, a construção civil e a agricultura.(Leia Mais) Até o final de janeiro será lançado um pacote para a habitação

Domingo, 21 de Dezembro de 2008 às 07:06, por: CdB

Para injetar mais de R$ 360 bilhões na economia brasileira em três meses, o governo não recorreu apenas a medidas monetárias. Além de mudar a legislação bancária e atuar no mercado de câmbio, a equipe econômica reforçou as linhas oficiais de crédito e cortou impostos para socorrer os setores mais afetados pela escassez de crédito, como a indústria automotiva, os exportadores, a construção civil e a agricultura.

Somente em linhas de crédito do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o governo liberou R$ 41 bilhões, dos quais o financiamento ao comércio exterior e ao capital de giro responderam por R$ 26 bilhões. O setor automobilístico recebeu R$ 7 bilhões, a agricultura, R$ 6 bilhões e a construção civil, R$ 5 bilhões.

Na primeira etapa da crise, as ações do governo se concentraram na concessão de linhas públicas de crédito e em medidas monetárias e cambiais. No final de novembro, dois meses após o agravamento da turbulência financeira internacional, a equipe econômica começou a cortar impostos com o objetivo de liberar dinheiro para o consumo, principalmente para impulsionar as vendas de veículos, afetadas pela contração no crédito.

Até agora, as desonerações somaram pelo menos R$ 8,7 bilhões. Desse total, R$ 8,4 bilhões são resultantes da criação de alíquotas intermediárias do Imposto de Renda, da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros e da diminuição da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para o crédito a pessoas físicas. Mais R$ 300 milhões vêm da redução do IOF nos financiamentos de motocicletas.

Nas próximas semanas, está previsto o anúncio de mais medidas. Até o final de janeiro, será lançado um pacote para a habitação, com medidas que beneficiarão tanto empresários como mutuários. Uma das mudanças em estudo prevê o aumento no valor dos imóveis financiados com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

O governo pretende ainda atuar diretamente para estimular o mercado de trabalho. O pacote a ser lançado no próximo mês também prevê o estímulo à realização de obras públicas, o que acarretará a criação de empregos, como antecipou na última quarta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista à TV Brasil.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, indicou que as desonerações continuarão. Durante reunião com empresários em São Paulo, na quinta-feira, ela informou que o governo também estuda a redução de impostos para os investimentos.

Até agora, o governo atuou em quatro linhas: desonerações, intervenções no mercado de câmbio, facilitação do crédito e mudanças na legislação bancária mediante principalmente liberação de parte do compulsório. Para chegar aos R$ 363,3 bilhões liberados na economia nos últimos três meses, a Agência Brasil somou as injeções de dinheiro obtidas pelas autoridades monetárias com cortes de impostos e reforço no crédito dos bancos públicos.

A redução do compulsório, parcela que os bancos são obrigados a deixar depositada no Banco Central, foi responsável pela injeção de R$ 98 bilhões. As atuações no câmbio somaram US$ 53,4 bilhões, equivalentes a cerca de R$ 126 bilhões, levando em consideração a cotação do dólar a R$ 2,36.

As mudanças contábeis nos bancos representaram a injeção de R$ 81,2 bilhões e a destinação do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) permitiu a liberação de mais R$ 5,4 bilhões. A esses valores, foram somadas a desoneração de pelo menos R$ 8,7 bilhões no IPI, no IOF e no Imposto de Renda, além da criação e do reforço de R$ 44 bilhões nos créditos públicos.

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