A Ampla, segunda maior distribuidora de energia do Rio de Janeiro, controlada pela espanhola Endesa, investirá R$ 355 milhões no próximo ano para dar continuidade ao seu programa de redução de perdas e de inadimplência, que fez a companhia voltar a ser rentável ao longo dos últimos quatro anos.
Focada na melhoria financeira, a companhia não está avaliando uma possível compra da principal distribuidora de energia do Rio de Janeiro, a Light, afirmou o presidente da Ampla e do Grupo Endesa no Brasil, Marcelo Llévenes. Ele reafirmou que o interesse da controladora da Ampla no país são ativos de grande porte de geração de energia.
Llévenes afirmou que o trabalho realizado nos últimos quatro anos junto aos clientes, principalmente em comunidades carentes, melhorou o desempenho da empresa e vem aumentando seu faturamento. Nos últimos quatro anos, a inadimplência da distribuidora caiu dos 15% para 1,2%, registrado em agosto deste ano.
"Tivemos em agosto a maior arrecadação da história da companhia e o maior lucro acumulado", disse Llévenes a jornalistas nesta terça-feira. De janeiro a agosto, a Ampla teve lucro de R$ 54 milhões, superando os R$ 33 milhões obtidos em todo o ano passado.
Do total de investimentos programados para 2006, R$ 180 milhões serão destinados a projetos sociais e a outros voltados para a redução das perdas de energia.
GERAÇÃO
Em pleno processo de desverticalização, seguindo as regras brasileiras do setor, a Ampla espera vender até o final do ano 10 pequenas hidrelétricas, com capacidade instalada de 63 megawatts, para as quais já tem três grupos interessados.
- O foco da Endesa é a geração de grande porte. Estamos criando uma holding que vai incorporar a nossa base de ativos e avaliar as oportunidades de geração - disse o executivo.
Segundo Llévenes, a Endesa não tem interesse em crescer na distribuição de energia no Brasil, e por este motivo não está avaliando a compra da Light .
Para fazer esse equilíbrio, a necessidade da empresa seria de empreendimentos de cerca de 500 megawatts. A Endesa é responsável por 5% da distribuição de energia no Brasil - Ampla (RJ) e Coelce (CE) - e 3,5% da geração de energia - Cachoeira Dourada, Térmica Fortaleza e Cien (conexão elétrica entre Brasil e Argentina).
A empresa já recebeu autorização da agência reguladora do setor, Aneel, para reunir seus ativos na holding Endesa Brasil, o que deverá ser concluído em outubro. Com apetite para participar do leilão de energia nova, previsto para dezembro, a Endesa ainda não selecionou os projetos e, segundo Llévenes, poderá atuar isolada ou em parceria.
Ampla vai investir R$355 mi em 2006 e descarta compra da Light
Terça, 27 de Setembro de 2005 às 13:50, por: CdB