O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim viaja no início da tarde deste domingo para Jamaica e Barbados, no Caribe. O chanceler brasileiro irá promover na região o dialogo da Comunidade do Caribe (Caricom) com o Haiti.
O primeiro encontro previsto é com o primeiro-ministro da Jamaica, Percival J. Patterson, na primeira visita de um chanceler brasileiro ao país. Em seguida, Amorim manterá reunião de trabalho com o chanceler Keith Desmond Knight. Na terça-feira, o ministro das Relações Exteriores terá encontros, em Barbados, com a primeira-ministra interina Mia Motley e com a chanceler Dame Billie Antoinette Miller.
O diretor do Departamento das Américas do Norte, Central e Caribe, do Itamaraty, Marcelo Leonardo Vasconcelos, disse que as duas visitas fazem parte dos esforços que o Brasil tem feito para manter os vínculos e o diálogo entre a Caricom e o Haiti, suspenso após a saída do presidente Jean-Bertrand Aristide. Amorim assinará acordos de cooperação técnica nas áreas de agricultura, saúde e cultura com os dois países.
De acordo com o ministro Marcelo Vasconcelos, ao invés de trabalhar junto com a Comunidade do Caribe para uma solução política, os haitianos depuseram Aristide e implantar um novo governo, sem dar satisfação à Comunidade.
- Os países da Caricom ficaram muito ressentidos. Eles têm muito apego à prática democrática. O Haiti está suspenso, porque até hoje ele não aceitou um governo de fato no país. A Caricom tem uma série de projetos para o Haiti, mas só quando for eleito um novo governo, está disposta a ajudar - afirmou.
O ministro Marcelo Vasconcelos lembrou que neste ano já houve visitas do chanceler haitiano a alguns países da Comunidade do Caribe, numa demonstração de que o Haiti está aberto ao dialogo.
- A Comunidade mantém politicamente uma suspensão ao Haiti, que não participa atualmente das reuniões multilaterais, mas assim que houver um governo democraticamente eleito, os países do Caribe estarão dispostos a contribuir por meio de cooperações técnicas com os haitianos -ressaltou.
Ainda segundo o diretor do Departamento das Américas do Ministério das Relações Exteriores, o respeito e a democracia são fatores essenciais no âmbito da Caricom.
- Esse exemplo, só pode ser benéfico para o Haiti, um país que não tem a mesma trajetória democrática e precisa dessa prática que já existe nos países da Caricom - disse Vasconcelos.
A Comunidade dos Países do Caribe (Caricom) é um bloco de cooperação econômica e política criado em 1973. O bloco é formado por 14 países e quatro territórios da região caribenha. São antigas colônias de potências européias que, após a independência, decidiram aliar-se para suprir limitações decorrentes da sua nova condição e para acelerar o seu processo de desenvolvimento econômico.
A região tem uma população de 14,6 milhões de habitantes, com PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 28,1 bilhões, exportações em torno dos US$ 12,6 bilhões e importações em US$ 15,9 bilhões.
São países-membros da Caricom: Antigüa e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, Dominica, Granada, Guiana, Haiti, Jamaica, Montserrat, Santa Lúcia, São Cristóvão e Neves, São Vicente e Granadinas, Suriname e Trinidad e Tobago.