Rio de Janeiro, 14 de Maio de 2026

Amorim se diz contrário ao subsídio agrícola de países ricos

Os subsídios agrícolas dos países ricos talvez sejam a forma mais forte e escandalosa de subtrair renda de países em desenvolvimento. A afirmação foi feita nesta quarta pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. (Leia Mais)

Quarta, 03 de Agosto de 2005 às 14:59, por: CdB

Os subsídios agrícolas dos países ricos talvez sejam a forma mais forte e escandalosa de subtrair renda de países em desenvolvimento. A afirmação foi feita nesta quarta pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, no Seminário sobre Desenvolvimento Econômico com Equidade Social, uma iniciativa do Fórum de Diálogo Índia, Brasil e África do Sul (IBAS).

Segundo Amorim, essa é a conclusão de organismos de combate à fome e à miséria de todo o mundo sobre o efeito dos subsídios agrícolas praticados por países ricos. - Eu concordo modestamente - disse ele.

O ministro ressaltou que, quando comenta esse assunto, não está se referindo apenas a países como Brasil, Índia e África do Sul, mas a outros que têm situação econômica mais difícil e sofrem com esse tipo de ação.

- Quando falo nisso, não falo apenas no interesse específico de nossos países. Mas no Brasil, por exemplo, destaco o caso do algodão. Todos sabemos da importância que o algodão tem para países mais pobres da África, como Burkina Faso e Benin - explicou.

Para Amorim, a criação do IBAS, em 2003, permitiu uma mudança nas agendas comerciais, como nas negociações do G 20, grupo de países em desenvolvimento formado naquele ano para defender interesses comuns no setor agrícola junto às grandes potências. - Parte, em função do IBAS, nós conseguimos, através do G 20, modificar não só o conteúdo das negociações, mas a própria forma como elas são feitas - lembrou.

Os países em desenvolvimento passaram, então, a ser "um interlocutor ativo, indispensável, das negociações comerciais", afirmou o ministro, destacando o período em que as negociações eram realizadas - praticamente todas - entre a União Européia, os Estados Unidos e, às vezes, o Japão e o Canadá, e depois se distribuíam "migalhinhas" entre os países em desenvolvimento.

- Acho que as coisas não ocorrem e não ocorrerão dessa maneira. E oIBAS é um dos responsáveis por essa mudança - acrescentou.

Amorim informou que o fundo, junto com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), é formado com recursos provenientes dos três países para ajudar países mais pobres.

- O fundo IBAS foi feito, não para recolher recursos para ajudar países como Índia, Brasil e África do Sul, que são pobres, são em desenvolvimento, mas que, comparados com outros em desenvolvimento, são países até que, relativamente, se não ricos, pelo menos já com capacidade produtiva e tecnológica muito desenvolvidas - explicou.

O primeiro projeto está sendo desenvolvido na Guiné-Bissau, um dos países mais pobres da África. Outro está sendo desenvolvido no Laos e um terceiro em estudo no Haiti.

Os ministros das Relações Exteriores da Índia, do Brasil e da África do Sul se comprometeram a aumentar a participação de cada um para o equivalente a US$ 1 milhão, mas, de acordo com Amorim, ainda falta um acerto com a área econômica dos três países.

Amorim disse que a iniciativa pode ajudar a trazer recursos da iniciativa privada, como já trouxe um pouco, e de outros países que possam ver isso como exemplo de mobilização da energia dos países em desenvolvimento para ajudar outros países em desenvolvimento". Ele lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva contribuiu com a formação do fundo, ao doar a parte em dinheiro, US$ 55 mil, do Prêmio Príncipe de Astúrias, que recebeu em 2003 da Espanha. A doação foi formalizada em setembro daquele ano, durante visita do presidente Lula à Assembléia Geral das Nações Unidas.

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