Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim reconheceu nesta quarta-feira, em suas primeiras declarações sobre as recentes decisões do governo argentino contra as exportações brasileiras, que há "assimetrias" no comércio entre Brasil e Argentina. O chanceler afirmou que é preciso tratar todos os problemas que existem nas relações entre os dois países de maneira inteligente, razoável e que permita um avanço no processo de integração.
- Neste momento elas (as assimetrias) favorecem mais ao Brasil. Poderá haver momentos em que elas venham a favorecer, como ocorreu no passado, a Argentina. Temos que trabalhar com espírito construtivo porque o Mercosul é um grande acervo positivo para todos nós - disse o ministro Celso Amorim, na cerimônia de abertura do I Fórum Empresarial do Mercosul, em Belo Horizonte.
No encontro, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Amorim afirmou também que não deverá haver qualquer mudança radical na estrutura do Mercosul.
- Nós (ministros) nos encontramos a cada seis meses. Os presidentes se vêem a cada seis meses. Não é de esperar que, a cada seis meses, você vá fazer uma revolução no Mercosul. Não vai nem deve. As divergências com a Argentina são problemas naturais dentro de uma relação intensa - afirmou.
Amorim ressaltou a velocidade com que transcorrem os avanços no Mercosul.
- Nós avançamos com a velocidade de um Concorde, e tendo, naturalmente, como somos países em desenvolvimento, as turbinas de um avião da Embraer, que é muito bom, mas que não estava ainda preparado para viajar duas vezes a velocidade do som, que foi o que nós efetivamente fizemos - disse o ministro.