Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim encerra visita a Genebra (Suíça), onde chegou nesta terça-feira. Nesta quarta pela manhã, ele presidiu a Reunião Ministerial do Grupo dos 20 (G-20). No encontro, representantes dos 20 países em desenvolvimento com interesse especial na agricultura vão fazer uma avaliação das negociações agrícolas no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).
No início da tarde, almoçou com chanceleres do grupo de ex-colônias européias da África, Caribe e Pacífico (ACP), Grupo Africano e Países de Menor Desenvolvimento Relativo (PMDRs), com quem comentou os fracos resultados da reunião mantida com os demais negociadores da Rodada de Doha, em Genebra. Segundo Amorim, o bloco europeu "só está repetindo as virtudes" da sua proposta.
- É inútil continuar em uma negociação em que as pessoas apenas repetem. A União Européia não faz nenhum movimento no setor agrícola. Só repete os discursos", reclamou demonstrando intensa irritação. Tive que fazer força para não dormir - afirmou o chanceler brasileiro, mas sem admitir, por enquanto, uma ruptura da Rodada Doha.
Ao ser perguntado pela imprensa como tinha sido o encontro, o chanceler brasileiro respondeu: "Tudo mal":
- Estou ficando convencido de que a União Européia (...) não pode fazer mais nada em agricultura mas não quer dizer isso. Isso não é uma coisa séria. Se continuar assim não faz sentido. É uma perda de tempo.
Diferenças
Já o representante do Comércio dos Estados Unidos, Robert Portman, saiu da reunião com um ar mais apaziguador.
- Alguns focaram mais nas suas propostas, mas outros países mostraram sugestões de como acabar com as nossas diferenças. Foi uma boa sessão apenas com os ministros - afirmou Portman.
O representante americano disse ainda que as divergências continuam "imensas", mas que os trabalhos continuam nesta quarta-feira. O G20 e os Estados Unidos, que apoiaram explicitamente a proposta do grupo em Genebra, dizem que a proposta européia para a redução de tarifas de importação para produtos agrícolas é insuficiente.
Para Amorim, os europeus não estão querendo abertura dos mercados de bens industriais e de serviços, condições que colocaram na sua oferta agrícola. Na sua avaliação, essa é apenas uma tentativa de dar uma desculpa de que eles não foram os culpados pelo entrave da Rodada.