Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Amorim pede à comunidade mundial para não esquecer do Haiti

Terça, 11 de Janeiro de 2005 às 15:42, por: CdB

Sob o argumento de que o Haiti vive há 200 anos um "tsunami social e econômico", o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, defenderá, na reunião aberta do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que a comunidade internacional não se esquive de dar apoio à reconstrução daquele país, apesar da tragédia provocada pelo maremoto na Ásia e na África.

Para o chanceler, a meta prioritária neste momento será garantir as condições de segurança para que o Haiti promova eleições, o que seria o primeiro passo para a consolidação das instituições e para a adoção de políticas públicas para a recuperação da economia e da área social.

"A comunidade internacional não pode perder seu foco no Haiti, apesar de toda a ajuda hoje necessária aos países pelo tsunami. É preciso engajamento de longo prazo com a reconstrução do Haiti", afirmou Amorim, logo depois de inaugurar a sede da Organização do Tratado de Cooperação Amazônico (OTCA).

De acordo com o ministro, a aprovação do Banco Mundial ao empréstimo de US$ 61 milhões e à doação de US$ 12 milhões para o Haiti, na semana passada, foi um "bom sinal" para que as nações que se comprometeram a conceder ajuda financeira àquele país no início de 2004 - um total de US$ 1,3 bilhão - cumpram sua promessa. Os recursos do Banco Mundial serão orientados para a reconstrução das instituições políticas e econômicas e para programas de redução da pobreza.

A reunião de amanhã, que tratará exclusivamente do Haiti, foi convocada pela presidência do Conselho de Segurança, atualmente nas mãos da Argentina. Vários chanceleres decidiram pessoalmente participar do encontro, a exemplo do argentino Rafael Bielsa. Além de Amorim, também deverá estar presente o ministro de Relações Exteriores do Chile, Ignacio Walker Prieto.

Antes de embarcar a Trinidad e Tobago, para uma visita bilateral, e depois para Nova York, Amorim participou da inauguração da sede permanente da OTCA e deixou sua proposta de aumento do número de países que compõem esse organismo. Criada em 1995, com base em um tratado assinado em 1978, a OTCA conta com oito membros - Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, Guiana e Suriname. Amorim pretende ver a França entre os membros permanentes - já que a Guiana Francesa é uma das suas províncias ultramarinas - e a inclusão de membros associados.

Segundo a secretária-geral da OTCA, a ex-presidente do Equador Rosalía Arteaga Serrano, a ampliação é factível e não interferirá em questões como a concessão de soberania dos países envolvidos. Conforme afirmou, o Chile, a Argentina e o Uruguai já manifestaram interesse em associar-se.

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