Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Amorim: "Não há acordos a qualquer preço"

Terça, 27 de Julho de 2004 às 07:50, por: CdB

Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim ainda acredita ser possível um acordo e salvar as negociações comercial, que vivem um impasse, na reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC).

- Os ministros não iriam se deslocar para Genebra, alguns deles como o representante de comércio dos Estados Unidos, Robert Zoellick, o comissário da União Eupéia para o Comércio, Pascal Lamy, e eu se não houvesse a expectativa de que possamos chegar a um acordo - afirmou o ministro.

Amorim disse que o Brasil tem enorme interesse em levar a negociação adiante, mas, ressalva.

- Também se aplica à OMC o que eu disse sobre a União Européia: não há acordos a qualquer preço - afirmou.

O chefe da Organização Mundial do Comércio (OMC), Supachai Panitchpakdi, afirmou nesta terça-feira que "muito trabalho" será necessário se os países ricos e pobres quiserem alcançar um acordo esta semana para retomar as negociações de livre comércio.

Os comentários pessimistas de Supachai foram feitos no dia em que ministros de cerca de 35 países juntam-se a seus diplomatas em Genebra para tentar colocar as conversações de comércio mundial nos trilhos.

- Estamos esperando que os países adotem uma postura flexível, mas ainda temos muito trabalho a fazer na questão dos bens agrícolas e industriais - disse Supachai a jornalistas.

O diretor da OMC acredita que se não for possível fechar um acordo até a meia-noite de sexta-feira as negociações para derrubar barreiras comerciais e salvar a rodada de Doha podem ser adiadas por muitos anos.

Pelo menos 35 ministros participam das negociações. Embaixadores da maioria dos 147 países que são membros da OMC também estão presentes. A rodada de Doha, lançada em 2001, propunha uma injeção de bilhões de dólares no comércio internacional e ajuda para tirar milhões de pessoas da pobreza, de acordo com o Banco Mundial, mas diferenças entre países ricos e pobres, especialmente por causa da agricultura, atrapalharam as negociações, levando ao fracasso da reunião de Cancún no ano passado.

Países em desenvolvimento pediram que as negociações em Genebra levem os países ricos a se comprometer com cortes maiores nos subsídios que, segundo eles, bloqueiam seu acesso aos mercados.

O mais recente rascunho de um acordo inclui medidas para acabar com subsídios a exportações agrícolas, embora seja menos específico sobre a questão de apoio a fazendeiros.

O ministro de Comércio indiano, Kamal Nath, disse que seu país está insatisfeito com as propostas atuais da OMC, que, segundo ele, abriria a Índia a produtos agrícolas altamente subsidiados da Europa, dos Estados Unidos e de outros países ricos.

A Comissão Européia descreveu o rascunho como "base para futuros trabalhos", mas a França afirmou que as propostas estavam "profundamente desequilibradas, em prejuízo da União Européia".

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