O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse pouco antes do jantar oferecido aos participantes da reunião ministerial do G-20, que o grupo não vai flexibilizar a sua posição antes das negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC) para a conclusão da rodada de Doha.
Amorim destacou que não se trata de uma postura intransigente, mas de saber jogar o momento certo de ceder. Mas deixou claro que os países desenvolvidos também têm que ceder.
- Quem tem que flexibilizar mais é quem sempre manteve subsídios agrícolas, quem sempre manteve políticas que torna difícil aos países em desenvolvimento tenham condições de ter acesso aos mercados.
Amorim disse que a presença de representantes de países tão distantes, como Egito, Índia e China é uma demonstração de que o G-20 já se consolidou como um forte interlocutor nas mesas da OMC.
- O G-20 é plenamente reconhecido como um ator indispensável nas negociações comerciais em agricultura. A OMC não trabalha mais da mesma forma. Provocamos uma dinâmica em que a voz dos países menores, em desenvolvimento, pode ser ouvida - afirmou.
O chanceler enfatizou também que "pela primeira vez uma coalizão quer juntar duas coisas separadas: liberalização comercial e justiça social".
O G-20 se reúne até amanhã, no Palácio do Itamaraty, para coordenar uma posição conjunta a ser apresentada na próxima reunião da OMC, no dia 15 de dezembro, em Genebra (Suiça).