O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Européia depende de vontade política afirmou neste domingo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. "O que poderia ser feito no nível técnico já foi feito. Claro que haverá sempre detalhes a acertar, mas é preciso entender que assim como a oferta da União Européia é limitada, não podemos fazer cinco emendas constitucionais e 23 mudanças na lei para agradar os europeus. Isto eu não vou fazer", declarou Amorim.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, reafirmou que o Brasil não mudará a Constituição Federal para fechar o acordo de livre comércio e que há segmentos que o país não abrirá - como a mídia, que não admite participação majoritária de estrangeiros. Isto não deve impedir o acordo, na opinião de Furlan. "Acredito que 70% da negociação estão feitas e já dá para enxergar a linha de chegada", disse, enfatizando que o páis perseguirá a meta de ter o acordo entre Mercosul e União Européia firmado até 31 de outubro deste ano.
Segundo Furlan, as negociações restantes envolvem, por parte dos europeus, pleitos de melhoria nas áreas de acesso a mercados, serviços, investimentos, compras governamentais, transporte marítmo e oferta de produtos. O Mercosul, por outro lado, pede melhorias em acesso a mercados, regras de origem e, especialmente, cotas agrícolas. "As cotas oferecidas no setor agrícola foram insuficientes e, em alguns casos, irrelevantes. O Mercosul considera a oferta européia tímida em vários setores de largo interesse", revelou o ministro. "Numa negociação, os ajustes finos podem ser feitos na medida em que cada um dos lados flexibilize", concluiu.
Furlan e Celso Amorim participam de mais um encontro entre Mercosul e União Européia. A reunião, simultânea à Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento - Unctad XI, conta com a presença do Comissário Europeu para o Comércio, Pascal Lamy, do diretorgeral de Comércio da OMC, Peter Carl, do secretário de Indústria e Comércio da Argentina, Alberto Dumont, do vice-chanceler argentino Martin Redrado, da chanceler paraguaia Leila Rachid e do chanceler uruguaio Didier Opperti.
Amorim diz que acordo entre Mercosul e UE depende de vontade política
"O que poderia ser feito no nível técnico já foi feito. Claro que haverá sempre detalhes a acertar, mas é preciso entender que assim como a oferta da União Européia é limitada, não podemos fazer cinco emendas constitucionais e 23 mudanças na lei para agradar os europeus. Isto eu não vou fazer", declarou Amorim. (Leia Mais)
Domingo, 13 de Junho de 2004 às 09:16, por: CdB