O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, estará em Marrakesh, no Marrocos, sexta-feira e sábado, discutindo com outros ministros sul-americanos e árabes detalhes da Cúpula de chefes de Estado e de Governo da América do Sul e dos Países Árabes. O encontro acontecerá em Brasília, nos dias 10 e 11 de maio, e tem como principal objetivo promover a cooperação entre as duas regiões.
A pauta da reunião preparatória de Marrocos inclui a definição da agenda da Cúpula, a apresentação do anteprojeto da declaração final - que será assinada pelos presidentes em Brasília - e a discussão de um calendário de encontros posteriores à reunião dos chefes de Estado. Às vésperas da reunião, no dia 23, os argentinos promoveram o seminário A Realidade da América do Sul, encontro semelhante ao seminário sobre cultura árabe realizado em São Paulo, em setembro do ano passado.
- As duas regiões têm muito comum em matéria de aspirações e posições nas negociações internacionais - afirma a embaixadora Vera Pedrosa, subsecretária geral de assuntos políticos do Itamaraty.
De acordo com a embaixadora, apenas no Brasil vivem 10 milhões de descendentes árabes. Apesar disso, os sul-americanos pouco conhecem da realidade árabe e vice-versa.
- O objetivo da Cúpula é reunir chefes de Estado para que se conheçam e estabeleçam áreas de cooperação Sul-Sul - explica Vera Pedrosa.
O encontro será precedido de reuniões de altos funcionários e de chanceleres, nos dias 8 e 9 de maio. Além disso, de 9 a 11 será realizado, em paralelo à cúpula, o Encontro Empresarial América do Sul-Países Árabes.
A embaixadora destaca que a aproximação com os árabes foi uma "iniciativa pioneira" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No ano passado, após a visita de Lula a cinco países da Liga Árabe (Líbano, Síria, Egito, Emirados Árabes Unidos e Líbia) - a corrente comercial entre o Brasil e os árabes cresceu 49,7% em relação a 2003, totalizando US$ 8,1 bilhões - US$ 4,03 de exportações brasileiras e US$ 4,1 bilhões de importações. Em alguns dos países visitados pelo presidente ou por comitivas do governo federal, como Síria, Líbia e Argélia, o volume de negócios mais que dobrou em 2004.
A Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da América do Sul e dos Países Árabes deverá ampliar fluxos de comércio e alavancar investimentos, diz Vera Pedrosa.
- Queremos a cooperação no combate à fome e à pobreza, criando fontes inovadoras de investimentos - antecipa.
Também estarão em foco parcerias no campo científico e tecnológico - o primeiro e passo neste sentido foi dado em setembro do ano passado com a realização do Seminário de Cooperação Científica e Tecnológica América do Sul e Países Árabes sobre Semi-Árido e Manejo dos Recursos Hídricos, que reuniu estudiosos de 13 países em Fortaleza.
O Itamaraty pretende propor, ainda, que entre em pauta em Brasília a discussão de incentivos à cooperação cultural e acadêmica entre América do Sul e países árabes.
- O objetivo da Cúpula com os árabes é ampliar o âmbito de nosso relacionamento, mantendo logicamente a interlocução com nossos parceiros tradicionais. Ampliamos nossas relações com o Caribe, a África, a Ásia, temos relacionamento estratégico com a China. Há interesse em expandir - avalia a embaixadora.
Amorim discute detalhes da Cúpula América do Sul e Países Árabes
Quinta, 24 de Março de 2005 às 07:50, por: CdB