Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Amorim defende que acordo com Irã é a porta de entrada para negociações

Terça, 18 de Maio de 2010 às 18:57, por: CdB

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta terça-feira que o acordo com o Irã, mediado por Brasil e Turquia, é a porta de entrada para negociações mais amplas e a melhor forma de garantir que o país não continuará a enriquecer de urânio. Para o chanceler, o Brasil não tem motivos para acreditar que o programa nuclear iraniano tenha objetivo militar, como acusam algumas potências militares, e também questionou a eficácia de se aplicar sanções, sugerindo que o Irã pode se fechar.

Amorim disse que o fato de o Irã ter anunciado que manteria seu processo de enriquecimento de urânio a 20 por cento, após ser divulgado o acordo intermediado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não enfraquece o compromisso firmado pelo país.

Ignorar o acordo, segundo o chanceler, representa uma atitude de desprezar uma solução pacífica. "Esta é a primeira vez que o Irã aceita, por escrito, a proposta, sem condicionalidades", disse a jornalistas Amorim, que esteve com Lula em Teerã. "Está é a porta de entrada para um processo de discussão mais ampla."

"Todos os pontos que eram considerados essenciais para esse acordo para troca de urânio, que era considerado o passaporte para uma solução negociada e pacífica, foram preenchidos", afirmou Amorim, acrescentando que o governo iraniano se comprometeu a escrever uma carta à AIEA formalizando os termos do acordo.

O chanceler afirmou ainda que a maior garantia de que não está havendo um desvio do programa nuclear iraniano para atividades militares seria a presença de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) no Irã, e isto está "garantindo implicitamente" no acordo. "Nós não temos uma relação profunda nem temos uma razão específica pra defender o Irã. Agora, nós defendemos sim a justiça internacional, a paz internacional, a norma internacional, e não decisões tomadas em opiniões que não sejam totalmente comprovadas", disse Amorim.

Brasil e Turquia assinaram com o Irã, no fim de semana, um acordo pelo qual a República Islâmica enviará ao exterior 1.200 quilos de seu urânio de baixo enriquecimento em troca de 120 quilos de combustível nuclear para um reator de pesquisas médicas em Teerã.

O objetivo do acordo era acalmar as potências globais e afastar a imposição de novas sanções ao país. Mas autoridades norte-americanas disseram que o acordo era uma manobra do governo iraniano para adiar novas sanções, e, nesta terça-feira, o esboço de uma resolução com novas sanções do Conselho de Segurança da ONU pedia a expansão de medidas punitivas contra o Irã e instituições do país pela recusa em interromper as atividades nucleares.

Após o anúncio do acordo com Brasil e Turquia, o Irã disse que pretendia continuar a enriquecer urânio, aumentando as suspeitas de que seu programa nuclear não tem fins pacíficos.

O Brasil ocupa atualmente um assento rotativo no Conselho de Segurança da ONU, e Amorim afirmou que haverá uma reação do país contrária ao esboço da resolução. "Temos uma chance, sim, para uma solução pacífica e negociada. Aqueles que desprezarem esta chance, ou que acharem que através de sanções e outras medidas chegam mais perto, eles assumirão suas responsabilidades", disse.

Amorim afirmou ainda ver "avanços notáveis" no impasse nuclear iraniano, acusado pelas potências ocidentais de ser um disfarce para a produção de armas nucleares, o que Teerã nega.

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