Rio de Janeiro, 12 de Maio de 2026

Amorim defende política externa de Lula, apesar das críticas

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, defendeu a política externa do governo Lula, duramente criticada pela oposição, e disse que o Brasil prefere competir por posições em órgãos internacionais a ser um espectador passivo. (Leia Mais)

Sexta, 26 de Agosto de 2005 às 08:34, por: CdB

A atual política externa do Brasil é frequentemente elogiada no exterior, onde o país é reconhecido com um ator global relevante. Pesam nisso as iniciativas brasileiras para dar mais transparência à Organização Mundial do Comércio (OMC) e para melhorar a representatividade do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Internamente, porém, a situação é diferente. Recentemente, em um furioso artigo, o senador Jefferson Péres (PDT-AM) qualificou de "megalomania" e "fracasso" a política externa do governo petista, críticas que ecoam entre políticos e especialistas no assunto.

Mas, na noite desta quinta-feira, Amorim disse que "quem não compete não se postula, não perde; não perde, mas vê as coisas passarem". O objetivo do Itamaraty, segundo ele, é "estar à frente junto com outros, não só ficar vendo as coisas passarem pela janela, é sermos protagonistas e defender os princípios nos quais acreditamos".

As críticas se acentuaram neste ano por causa da derrota de Luiz Felipe Seixas Corrêa ao cargo de diretor-geral da OMC. Logo depois, João Sayad perdeu para o candidato colombiano Luis Alberto Moreno a eleição para a presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

- Há pessoas, e não me refiro ao senador Peres, a quem respeito, que às vezes tendem a ver as coisas como se fossem uma partida de futebol, como se fossem uma Copa do Mundo, que termina para quem perde. Na política exterior não é assim. A gente vai lançando sementes, e as coisas vão germinando, algumas hoje, outras amanhã. Às vezes muitas pessoas têm um certo imediatismo, e é mais fácil perceber um resultado às vezes eleitoral do que questões de longo prazo - disse Amorim.

O Brasil vem atuando agressivamente na OMC, onde articulou em 2003, na reunião de Cancún (México), o chamado Grupo dos 20 (G20), junto com países como China, Índia, África do Sul e Argentina, para agir em defesa dos seus interesses comerciais no setor agrícola.

- O G20 mudou o conteúdo e a forma das negociações na OMC. Fui embaixador ali, cansei de ver que Estados Unidos, Europa, Japão e Canadá resolviam praticamente tudo e depois discutiam algumas poucas vírgulas conosco. Hoje o quadro é Estados Unidos, União Européia, Brasil e Índia. Isso graças ao G20 em Cancún. Não tenho a menor dúvida de que os historiadores vão lembrar que a reunião de Cancún foi um marco para as negociações comerciais mundiais - disse Amorim, que está em Bariloche para uma reunião de chanceleres latino-americanos.

O ministro também defendeu a aspiração brasileira a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU, após uma eventual reforma do órgão. Para isso, o Itamaraty se uniu a Índia, Alemanha e Japão, também candidatos, formando o chamado G4.

A proposta do grupo, cuja discussão foi iniciativa do secretário-geral da ONU, tem a oposição, entre outros, de China e de vários países da África, o que pode inviabilizá-la - possibilidade que também provocou críticas no Brasil.

- Essa questão da reforma da ONU não sei que resultado terá. Espero que seja positivo. Mas posso garantir que a reforma, quando ocorrer, será muito mais justa e equilibrada. Não se podem ver as coisas só no curtíssimo prazo, a história não se faz de uma vez só - concluiu o chanceler.

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