O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, criticou na quinta-feira o ex-comissário de Comércio da União Européia e candidato à presidência da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, por uma proposta recente que prevê tornar as florestas tropicais bens públicos mundiais.
"Tais declarações são incompatíveis com o cargo de diretor geral da OMC, ao qual o senhor Lamy aspira", disse Amorim por meio de um comunicado do Itamaraty.
Na quarta-feira, em Genebra, durante um encontro com diplomatas e representantes internacionais, Lamy propôs submeter à gestão coletiva da comunidade internacional, a Amazônia e outras florestas tropicais, a água e os recursos de pesca, entre outros bens considerados por ele "bens públicos mundiais".
Amorim, que está em Túnis, em um giro por países árabes, disse que "as declarações de Lamy revelam uma visão preconceituosa, que subestima a capacidade dos países em desenvolvimento de gerenciar, de forma soberana e sustentável, seus recursos naturais."
Lamy é um dos quatro candidatos à direção geral da OMC. O cargo também é disputado pelo embaixador brasileiro Luiz Felipe Seixas Corrêa.
A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo e dona de grande parte de reservas de água doce e de espécies animais e vegetais do planeta. Além do Brasil, ela está no território de outros sete países sul-americanos: Equador, Bolívia, Venezuela, Colômbia, Peru, Suriname e Guiana.
Questionado por jornalistas brasileiros em Genebra sobre se defendia uma internacionalização da Amazônia, Lamy disse que a gestão coletiva de um bem público teria o objetivo de defender os interesses de todos e suas regras não questionariam a propriedade.
No ano passado, os países amazônicos, liderados pelo Brasil, anunciaram um plano-- o Plano Estratégico da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA)--, para reafirmar, inclusive no âmbito da defesa, sua soberania e para preservar a floresta da devastação.
A idéia é criar atividades sustentáveis para os 23 milhões de habitantes da região-- a maioria deles pobre.
A Amazônia perde cerca de 2 por cento de sua cobertura vegetal anualmente.