O ministro das relações Exteriores, Celso Amorim, disse que a relação do Brasil com a Bolívia é de política de Estado. Segundo ele, a Bolívia é um país estratégico para o Brasil, já que faz fronteira com estados brasileiros. Segundo Amorim, em nenhum momento houve a idéia de que o Brasil vai se relacionar apenas com governos de esquerda.
- Vamos nos relacionar com todos os governos.
Ele disse ainda que, apesar de a Bolívia ser um país instável, o Brasil considera fundamental a integração com aquele país.
- Não foi o presidente Lula que elegeu Evo Morales. Quem o elegeu foi o povo da Bolívia e nós temos de respeitar esse fato.
Amorim explica, em audiência pública promovida pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado, o que o Brasil tem feito a partir da decisão do governo boliviano de nacionalizar as reservas de petróleo e gás. Uma das multinacionais prejudicadas com a medida é a brasileira Petrobras.
Interdependência
Celso Amorim disse ainda que é favorável ao gasoduto Brasil-Bolívia e ressaltou que a relação de interdependência dos dois países vem de outros governos. Segundo ele, do investimento de US$ 1 bilhão da Petrobras na Bolívia, 92% foram entre 1996 e 2002 e o resto foi entre 2003 e 2005:
- Isso mostra como a Petrobras neste governo agiu com prudência.
Segundo o ministro, o Brasil reagiu à decisão de Evo Morales de nacionalizar as reservas de petróleo e gás bolivianas "da forma como deveria, com diálogo, e com o reconhecimento da situação". Para o ministro, a questão agora é saber se na nacionalização os interesses brasileiros serão respeitados.
- Apesar de toda a instabilidade, a Bolívia tem sido um fornecedor de gás confiável no Brasil.
Amorim destacou que a discussão sobre o preço do gás tem de ser racional. Segundo ele, o Brasil compra 36% do que a Bolívia exporta "se o gás for para um preço que não seja possível o funcionamento das indústrias ou que o consumidor não possa pagar, esse preço não pode se elevar. Não é uma atitude autoritária, é o mercado".
Ele admitiu que as negociações sobre o preço "vão ser longas e difíceis". Para ele, a ocupação da Petrobras no dias 1º de maio foi desnecessária, porque "não haveria reação física".