Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

<b>Amigos Desunidos</b>.... ou, <i>Copacabana e Ipanema é um real</i>

Essa é uma matéria escrita nos moldes do Novo Jornalismo (ou jornalismo literário) que expõe as facetas da indústria rodoviária que sai do Alto Gávea em direção aos bairros da orla. (Leia Mais)

Quarta, 23 de Março de 2005 às 08:17, por: CdB

O universitário Leandro Severo acorda às seis horas todos os dias. Exceto às sextas-feiras, quando não tem aula. É aluno do segundo período de Direito na Faculdade Cândido Mendes, em Ipanema.

As aulas de Leandro começam sempre às oito horas da manhã. O jovem, que é maratonista há dois anos, tinha o apelido de Ligeirinho na escola. Faz tudo muito rápido, "inclusive estudar", comenta. Tinha como certo fazer Comunicação Social na UFRJ. Não passou para nenhuma faculdade pública. O sonho da federal acabou ficando para um futuro próximo, provavelmente após o maratonista se tornar um advogado.

Leandro faz sempre o mesmo ritual matinal de segunda à quinta. Acorda, toma café com torradas, se arruma e vai para a faculdade. Tudo isso demora 40 minutos no máximo (se ele tomar uma rápida chuveirada). Porém, Ligeirinho é obrigado a se programar para sair de casa com uma enorme margem de tempo (80 minutos, quase uma hora e meia antes de começar a aula). Morador do Alto Gávea, Zona Sul do Rio, o maratonista não tem carro, sendo obrigado a andar de ônibus pelo menos duas vezes ao dia. Um ônibus que sai do Alto Gávea leva em média 40 minutos para chegar até Ipanema. Com trânsito, no máximo uma hora. Às oito, nove horas da manhã, não tem trânsito quase nenhum no caminho. 

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Houve uma época em que o itinerário de um ônibus que passasse no Alto Gávea em direção a Copacabana era um inferno. A Barra da Tijuca, ao se tornar o pólo residencial que hoje fabrica dezenas de prédios e condomínios por ano, cujo volume de negócios gera R$ 69,9 milhões de ICMS - nona arrecadação da cidade -, despejava centenas de carros na Rua Marquês de São Vicente. Era caótica a vida de um morador da Gávea (do Alto Gávea principalmente). Buzinas poluíam o ar, carros parados ao longo de toda a rua sujavam a já imunda paisagem. O responsável por isso era um acesso que ligava o Túnel Zuzu Angel diretamente à Gávea.

Em janeiro de 2003, a Prefeitura resolveu fechar o acesso. O viaduto tinha funcionado durante oito anos como uma alternativa de fuga dos congestionamentos da Auto-Estrada Lagoa-Barra. Os milhares de motoristas que usavam o viaduto diariamente desaprovaram a medida. A causa do fechamento do acesso foi a reclamação de moradores que compõem as duas organizações antagônicas que cuidam dos interesses de seus moradores: a AMALGA, Associação dos Moradores do Alto Gávea, e a AMAGÁVEA, Associação dos Moradores da Gávea.

Quando a Rua Marquês de São Vicente recebia a visita de tantos carros, circulavam no bairro, em direção ao Leme via Copacabana, três linhas rodoviárias. Os veículos da linha 591, 523 e 593, todos da empresa Amigos Unidos, pegavam passageiros na Gávea numa periodicidade de dez em dez minutos. Cada um levava mais de uma hora até Copacabana, após as 10 da manhã. Perdiam-se, pelo menos, vinte minutos descendo a Marquês de São Vicente, e até meia hora para atravessar os bairros Leblon e Ipanema.
Após o acesso do Túnel Zuzu Angel ter sido fechado, só passa no Alto Gávea em direção a Copacabana a linha 593. As outras duas, 591, 523, descem do túnel e seguem pela Lagoa-Barra.

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Ligeirinho conheceu Marina dentro do ônibus 157 (Estrada de Ferro x Gávea), linha que tem o ponto final próximo à PUC. Marina também fazia Direito, estava um período atrás em relação a Ligeirinho, e também tinha que levantar muito antes do horário de aula. Os dois desciam a Marquês a pé até a PUC, onde entravam no 157

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