Por José Inácio Werneck - O New York Times deste último domingo publicou um artigo de Sara Yael Hirschhorn, uma pesquisadora da Universidade Oxford, denunciando a presença de americanos terrroristas nos assentamentos judeus em territórios palestinos.
Domingo, 13 de Setembro de 2015 às 10:00, por: CdB
Por José Inácio Werneck, de Bristol, Estados Unidos:
Jovens americanos comprometem Israel praticando terrorismo contra palestinos
O New York Times deste último domingo publicou um artigo de Sara Yael Hirschhorn, uma pesquisadora da Universidade Oxford, denunciando a presença de americanos terrroristas nos assentamentos judeus em territórios palestinos.
Terroristas não contra o judeus, mas contra os palestinos.
Há no momento mais de 60 mil judeus americanos que se instalaram na Margem Ocidental do Jordão, em territórios palestinos, e são eles há algum tempo que vem cometendo os piores atos de terrorismo contra os palestinos residentes na área.
O mais recente ocorreu no dia 31 de julho, quando Ali Dawabsheh, de apenas 18 meses, foi queimado vivo num incêndio proposital desfechado pelos “settlers”, os judeus que ocupam o território e continuam a nele constrtuir habitações, apesar de todos os protestos internacionais.
Protestos que são encabeçados pelo presidente de seu país, Barack Obama, que defende a política de “dois Estados” - um israelense e outro palestino, com fronteiras reconhecidas e seguras.
A missão dos “assentamentos” é justamente criar uma situação de fato, ocupando terras palestinas e tornando a criação do Estado da Palestina impossível.
Três dos quatro terroristas implicados no incêndio criminoso eram americanos ou descendentes de americanos. O mais conhecido é Meir Ettinger, neto do rabino americano extremista Meir Kahane, que emigrou para Israel em 1971.
Outro, Mordechai Meyer, é filho de imigrantes americanos.
O terceiro, Ephraim Kantsis, nasceu nos Estados Unidos.
O quarto, finalmente, é filho de judeus que emigraram da Austrália.
Sara, que é judia, lembra a chacina de fevereiro de 1994 em que o judeu americano Baruch Godstein matou 24 palestinos com uma metralhadora, quando eles oravam em Hebron.
Há outros casos. Em 1980, Era Rappaport, judeu americano nascido no Brooklyn, tomou parte no atentado a bomba contra o prefeito de Nablus.
Em 1982, Alan Goodman, judeu americano nascido em Baltimore, matou dois palestinos e feriu 11 quando estavam no Dome of the Rock (Cúpola do Rochedo), o terceiro loca mais sagrado dos maometanos, depois de Meca e Medina.
Os pais de Mordechai Meyer deram uma entrevista coletiva de imprensa dizendo que o Estado de Israel estava infringindo os “direito humanos” do filho ao mantê-lo preso indefinidamente, enquanto o crime é investigado.
O curioso, como observa Sara Yael Hirschhorn, é que eles não alegam “infringência de direitos humanos” no caso de centenas de palestinos que se encontram também presos indefinidamente por Israel sob a alegação de que seus atos estão sendo investigados.
Enfim, um artigo corajoso de uma pesquisadora judia, que agora deve ter sérias razões para temer por sua segurança.
José Inácio Werneck, jornalista e escritor, trabalhou no Jornal do Brasil e na BBC, em Londres. Colaborou com jornais brasileiros e estrangeiros. Cobriu Jogos Olímpicos e Copas do Mundo no exterior. Foi locutor, comentarista, colunista e supervisor da ESPN Internacional e ESPN do Brasil. Colabora com a Gazeta Esportiva. Escreveu Com Esperança no Coração sobre emigrantes brasileiros nos EUA e Sabor de Mar. É intérprete judicial em Bristol, no Connecticut, EUA, onde vive.Direto da Redação é um fórum de debates, editado pelo jornalista Rui Martins.
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