Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Americanos tentam subornar preso com uma prostituta em Guantanamo

Sexta, 10 de Dezembro de 2004 às 08:23, por: CdB

As Forças Armadas dos Estados Unidos ofereceram os serviços de uma prostituta a um australiano acusado de terrorismo caso ele concordasse espionar outros detentos na base militar de Guantánamo (Cuba), revelaram documentos apresentados à Justiça norte-americano.

No testemunho divulgado por uma corte dos EUA ao qual a Reuters teve acesso nesta sexta-feira, David Hicks, 29, disse ter sido espancado enquanto estava algemado e com os olhos vendados, ter sido ameaçado com armas e ter tido a cabeça jogada contra o asfalto em Guantánamo.

Hicks, convertido ao islamismo, foi detido no Afeganistão em 2001 e é parte de um pequeno grupo de prisioneiros da base militar norte-americana que está sendo julgado. O australiano afirmou ser inocente das acusações de contribuir com o inimigo, de tentativa de assassinato e de conspiração para cometer crimes de guerra.

- Os investigadores uma vez me ofereceram os serviços de uma prostituta por 15 minutos se espionasse os outros detentos. Eu recusei - disse Hicks no depoimento, cuja data era de 5 de agosto e que havia sido acompanhado pelo advogado dele, major Michael Mori.

O australiano afirmou ainda que, por não ter concordado com cooperar, acabou sendo impedido de tomar banho regularmente, viu sua ração diminuir e não pôde mais ter acesso a suas cartas.

- Fui espancado enquanto estava com os olhos vendados e algemado. Em um dado momento, um grupo de detentos, entre os quais eu, foi espancado aleatoriamente por oito horas, durante as quais ficamos com os olhos vendados e algemados - contou Hicks.

Os EUA rechaçaram as acusações de que estariam torturando os prisioneiros em Guantánamo.
Ainda assim, no começo desta semana, uma carta de Thomas Harrington, autoridade do FBI (polícia federal) na área de combate ao terrorismo, endereçada ao major general Donald Rayder, das Forças Armadas dos EUA, falava em "técnicas de interrogatório altamente agressivas" sendo usadas nos detentos de Guantánamo.

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