Casey Anthony chorou ao ouvir a decisão dos jurados
Um júri popular na Flórida inocentou, nesta terça-feira, a americana Casey Anthony das acusações de ter assassinado sua filha de dois anos.
A alegação da Promotoria era de que Casey, 25 anos, teria sufocado a pequena Caylee em 2008, com fita adesiva sobre sua boca e seu nariz, porque a existência da filha supostamente impedia que ela se divertisse e frequentasse festas.
Ela também era acusada de ter jogado o seu corpo em decomposição em um bosque perto de sua casa, em Orlando, após circular por vários dias com ele no bagageiro de seu carro.
Casey primeiro alegou que a criança tinha sido sequestrada pela babá; depois, durante o julgamento, disse que a menina tinha se afogado acidentalmente em uma piscina.
A tese da defesa era de que Caylee não fora assassinada – teria morrido por acidente, na piscina; Casey e seu pai, George Anthony, teriam entrado em pânico e escondido o corpo por medo da polícia.
George Anthony negou essa versão. Com diversas versões e reviravoltas, o caso prendeu a atenção dos americanos nos últimos meses.
Casey foi inocentada nesta terça-feira das acusações mais graves, mas foi condenada por mentir à polícia durante a investigação do desaparecimento de Caylee. A sentença será definida nesta quinta-feira, mas, como Casey já passou quase três anos detida, é possível que ela seja libertada pela corte.
Ao ser inocentada das acusações de assassinato e de abuso, Casey chorou.
Dúvida razoável
Os restos mortais de Caylee foram descobertos em uma floresta próxima à casa da família Anthony, seis meses depois de seu desaparecimento.
Criança (na foto, com a avó) desapareceu em 2008; Casey alega que ela morreu acidentalmente
Mas o médico que examinou o corpo não conseguiu determinar a causa da morte.
A Promotoria apresentou provas forenses que, segundo os advogados, mostram que Casey guardou o corpo da filha no porta-malas de seu carro e que ela fez pesquisas na internet sobre o termo "clorofórmio", substância que teria sido utilizada para deixar a criança inconsciente no momento de sua sua morte.
Os promotores também alegaram que, durante o período em que Caylee já estava desaparecida, Casey teria se comportado de maneira incompatível com alguém preocupada com a filha – ela teria frequentado festas e feito uma tatuagem com os dizeres "Bella Vita" (vida bela).
A defesa, por sua vez, conseguiu convencer os jurados de que eles não poderiam considerar Casey culpada "além da dúvida razoável" – o padrão para condenações criminais nos EUA, explicam analistas.
Alega que a morte da criança foi "um acidente que, como uma bola de neve, saiu do controle".
Em uma entrevista coletiva após o veredicto, os advogados de defesa criticaram a pena de morte – que havia sido solicitada pela Promotoria no caso – e a imprensa, por supostamente ter "condenado" Casey antes mesmo da decisão judicial.