Países latino-americanos que mantêm acordos com o Fundo Monetário Internacional receberam com satisfação a nomeação do ex-ministro da Economia espanhol Rodrigo Rato para chefiar o órgão, o que segundo analistas pode dar início a uma nova era de flexibilidade por parte do FMI.
- É muito bom para todos os países da América Latina. O ministro Rato é um conhecedor muito mais profundo da nossa realidade latino-americana. É a primeira vez que teremos uma pessoa de fala espanhola à frente do FMI - disse o ministro colombiano da Fazenda, Alberto Carrasquilla.
Rato, nomeado nesta terça-feira para ser diretor-gerente da instituição financeira por cinco anos, é considerado um especialista na situação da endividada América Latina, a região que mais usa os programas do FMI e que também acumula o maior número de moratórias na história.
- Para a América Latina, é de fato mais importante. Concretamente para o Brasil e a Argentina, porque têm programas com o Fundo, porque lhes emprestou dinheiro. Em geral, se vê com consentimento. Ele é visto como alguém mais brando, mas não muito - disse o analista econômico colombiano Javier Fernández.
O vice-presidente da Argentina, Daniel Scioli, elogiou a indicação do espanhol, por ser "um homem com experiência e capacidade".
A Argentina se tornou uma das maiores dores de cabeça para o FMI nos últimos anos -- o Fundo destinou bilhões de dólares ao país antes do seu colapso econômico, no final de 2001.
O novo diretor-gerente terá como um de suas primeiras tarefas assegurar a reestruturação da dívida Argentina com credores privados, que soma 88 bilhões de dólares e está sob moratória.
O ministro brasileiro da Fazenda, Antonio Palocci, também elogiou a designação de Rato, que segundo ele "demonstrou na sua atividade governamental grande capacidade de lidar com a temática das finanças internacionais e uma visão aberta e moderna sobre o FMI e sua relação com os países membros".
O Brasil mantém um programa de 14,8 bilhões de dólares com o FMI, em troca do qual se comprometeu a cumprir rigorosas metas de superávit público.
A experiência de Rato na América Latina começou a se destacar justamente durante a crise de 2002, quando as empresas espanholas se viram obrigadas a amortizar milhões de dólares de seus negócios no país. A Argentina continua sendo o terceiro maior devedor do FMI, depois de Brasil e Turquia.
Durante a crise, Rato manteve seu apoio à Argentina, insistindo para que a Espanha e seus investidores continuassem acreditando no potencial econômico do país, enquanto pressionava Buenos Aires a acelerar a implementação de reformas.
Recentemente, ao apoiar a candidatura de Rato, o ministro argentino da Economia, Roberto Lavagna, disse que era necessário que o organismo de crédito tivesse maior visão política.
O analista Alejandro Indacochea, da consultoria Analistas Económicos de Perú, disse que a eleição de Rato é "basicamente política" e que existe na região uma grande expectativa de que as políticas do FMI levem em conta a realidade do continente, atingido por uma conjunção de pobreza, desemprego, dívida e medíocre desempenho econômico.