Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

América do Sul é capaz de cuidar de seus próprios assuntos, diz Lula

Terça, 29 de Março de 2005 às 15:14, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou seu discurso durante a reunião que manteve com os presidentes Alvaro Uribe (Colômbia), José Luis Zapatero (governo da Espanha) e Hugo Chávez (Venezuela) para fazer uma defesa do comportamento do presidente venezuelano.

- Nós não aceitamos difamações contra companheiros. Nós não aceitamos insinuações contra companheiros. A Venezuela tem o direito de ser um país soberano, de tomar as suas decisões - disse Lula.

Lula acrescentou que:

- Não tem medo de fazer essa afirmação em nenhum lugar do mundo.

Na semana passada, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, criticou, durante visita ao Brasil, o anúncio venezuelano da compra de 100 mil fuzis de origem russa para equipar suas Forças Armadas.

- Nós, da América do Sul, somos capazes de cuidar de nossos asuntos - completou Lula.

Em dezembro, Rodrigo Granda, um dos líderes das Farc, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, foi capturado em Caracas por mercenários e entregue à polícia colombiana depois de ter sido levado até a fronteira dos dois países, em troca de uma recompensa estimada em US$ 1,5 milhão. Na época, Chávez classificou o pagamento como "suborno" e disse que o caso constituia uma violação da soberania nacional venezuelana.

Em meados de fevereiro, Chávez e Uribe encontraram-se pela primeira vez depois do episódio. A reunião desta terça-feira é o segundo encontro entre eles desde a crise. Na época, a captura de Granda em Caracas foi considerada uma prova da ligação do governo Chávez com a guerrilha colombiana.

- A Venezuela não precisa ser acusada de coisas que, a gente que convive com você, Chavez, sabe que não fazem parte do seu comportamento e do seu pensamento - completou Lula.

O presidente brasileiro lembrou que, na campanha presidencial de 2002, seus opositores faziam acusações de que ele tornaria o Brasil uma outra Venezuela e também de que o PT receberia financiamento das Farc.

- Não tomamos a sério essas denúncias - disse Lula, lembrando de recentes reportagens sobre o assunto na imprensa brasileira.

- Nós temos muita gente falando mal de nós no mundo - disse Lula.

Para o presidente brasileiro, a reunião presidencial de hoje sinaliza que é importante para o avanço da integração na região o estabelecimento de "confiança" entre os dirigentes dos diversos países.

- Não é possível fazer política sem confiança entre as pessoas que fazem a política.

Nesta segunda-feira, o Departamento de Estado dos EUA divulgou o relatório anual Informe Anual 2004 sobre Direitos Humanos, em que cita Venezuela, Cuba e Haiti como países com deficiências na área. Cuba e Venezuela são "pontos negros" na região e, neste último país, os direitos humanos teriam regredido no último ano.

Tags:
Edições digital e impressa