Rio de Janeiro, 05 de Outubro de 2026

América do Sul deve apostar na integração

Os países da América do Sul devem apostar na integração e resistir à tentação de impor barreiras comerciais para enfrentar a crise econômica, disse o assessor chefe da Assessoria Especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, nesta sexta-feira. Em apresentação no seminário promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social que debate a crise financeira internacional, o assessor afirmou que o fortalecimento da integração regional representa o melhor caminho para os países Latino-Americanos se contraporem à deterioração econômica internacional. (Leia Mais)

Sexta, 06 de Março de 2009 às 08:37, por: CdB

Os países da América do Sul devem apostar na integração e resistir à tentação de impor barreiras comerciais para enfrentar a crise econômica, disse o assessor chefe da Assessoria Especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, nesta sexta-feira. Em apresentação no seminário promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social que debate a crise financeira internacional, o assessor afirmou que o fortalecimento da integração regional representa o melhor caminho para os países latino-americanos se contraporem à deterioração econômica internacional.

– A solução para enfrentar a crise é ampliar a integração e encontrar mecanismos que permitam resolver as desigualdades regionais. A integração tem de ser um projeto de desenvolvimento regional, que reduza as assimetrias – disse Marco Aurélio.

Os especialistas reunidos no painel que discute os impactos da crise no processo de integração latino-americana concordaram com a necessidade de resistir ao protecionismo (criação de barreiras comerciais) e ao fechamento de acordos bilaterais com os Estados Unidos e a União Européia. Eles porém advertiram que o modelo de integração precisa ser revisto. Membro do Observatório Acadêmico do Centro de Formação para a Integração Regional do Uruguai, Gerardo Caetano disse que tanto o Mercosul como a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) precisam encontrar uma agenda externa comum e um projeto de desenvolvimento de longo prazo, superando as questões ideológicas.

– Ao contrário do que se pensou, a eleição de governos progressistas em vários países da América Latina não acelerou a integração. Em 2006, o Uruguai esteve a ponto de firmar um tratado de livre-comércio com os Estados Unidos, mesmo com um governante de esquerda – disse o professor.

Para o especialista, os países Latino-Americanos precisam ainda estar atentos para que o processo de integração não fique a cargo de líderes que usam a redução das desigualdades sociais para promoverem-se e perpetuarem-se no poder:

– A integração não pode ser fruto do personalismo, mas de acordos responsáveis, que permitam o manejo conjunto dos recursos naturais e energéticos do continente.

Professor da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires, Jorge Beinstein disse que a América do Sul devem aproveitar a crise econômica para promover um novo modelo de desenvolvimento, que privilegie a economia popular.

– O estímulo a pequenas empresas, a cooperativas é um caminho para que a gente desenvolva outro tipo de sociedade que sirva de exemplo para o mundo – comentou.

Afirmando concordar com as observações dos especialistas, Marco Aurélio Garcia declarou que o Mercosul e a Unasul não devem ser pautados por pensamentos desenvolvimentistas, em que os governos ampliam o controle da economia, mas se isolam dos outros países.

– A crise está ensinando que o papel do Estado na economia precisa ser ampliado, mas isso não significa encontrar um novo nacionalismo desenvolvimentista – disse Marco Aurélio Garcia.

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