Não são só possíveis ataques terroristas ou algum espectador sem noção do ridículo que ocupam as mentes dos responsáveis pela segurança dos Jogos Olímpicos 2004, em Atenas. Hackers, crackers (quebradores de códigos), cavalos de tróia - conhecidos como Trojans - e vírus de computador também estão na mira dos ciber-seguranças gregos.
A empresa responsável pela segurança dos bancos de dados da Olimpíada é a francesa Atos Origin. Alguns dos serviços prestados por ela já fazem parte da tradição da Olimpíada há muito tempo: fornecer resultados de jogos, rastreamento de credenciais, distribuição de relatórios de doping, entre outros dados.
A companhia projeta que 50 milhões de páginas de resultados e estatísticas serão enviados a sites e jornais em todo o mundo, além de outras 50 mil páginas que estarão restritas somente à Intranet do evento.
"Desde a Olimpíada em Sidney, em 2000, as ameaças virtuais cresceram muito. Em contrapartida, os programas de segurança também evoluíram bastante. Não podemos baixar a guarda em nenhum momento", disse Claude Philipps, diretor de software da Atos.
O sistema foi testado mês passado por cinco dias, segundo Philipps, de todas as formas para simular uma invasão na rede de US$400 milhões (R$1,2 bilhões), instalada por uma empresa norte-americana.
Hackers tentaram infiltrar a rede, usuários internos inseriram senhas falsas, e diversos cenários catastróficos foram simulados, como blecautes, ameaças de bombas, cancelamento de eventos, servidores travados e reprogramações de emergência. Até aí, tudo correu bem.
No entanto, a realidade sempre supera a ficção. Há algumas semanas, a Grécia enfrentou um dos piores blecautes de sua história. Atenas e toda a região sul da Grécia ficaram às escuras por horas a fio. A Atos foi obrigada a desligar o seu sistema porque os geradores de emergência e o sistema auxiliar de energia "não estavam no modo de 'tempos de jogos'", disse Philipps.
Ele se limitou a dizer que, apesar do ocorrido, "não haverá muita coisa que poderá surpreendê-los quando a Olimpíada começar".