Rio de Janeiro, 18 de Outubro de 2026

Ameaçada de morte, ex-senadora colombiana Piedad Córdoba deixa o país

Sexta, 19 de Agosto de 2011 às 12:38, por: CdB

Por telefone, Piedade Córdoba, líder do grupo Colombianos e Colombianas pela Paz e ex- senadora da Colômbia, informou sua saída ontem do país por conta das ameaças de morte que vinha recebendo ultimamente. O anúncio aconteceu horas depois que o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe compareceu diante de um comitê da Câmara para uma investigação sobre um escândalo de escutas ilegais em seu governo. Uribe admitiu que ordenou a espionagem contra a ex-senadora.

Segundo Uribe, "o nosso governo estava preocupado com a interferência do governo da Venezuela. Investigávamos quem recebia dinheiro e aparecia Piedad Córdoba. Não era para investigá-la, mas investigávamos a infiltração de alguns fundos”.

Luis Guillermo Pérez, advogado de Piedad Córdoba, confirmou à imprensa local as intimidações constantes contra a vida da ex-senadora e acrescentou que há informações de que grupos de extrema direita estavam armando um atentado para matá-la.

O advogado acredita que as ameaças se deram por conta dos seus esforços com os guerrilheiros, através da troca de cartas para encontrar uma solução para o conflito armado interno, e também pelos constantes ataques da mídia e do ex-presidente Álvaro Uribe.

Ele afirma ainda que o exílio forçado será temporário e que continuará seu trabalho na procura de alternativas que ponham fim ao conflito armado interno na Colômbia.

Córdoba divulga carta de paz enviada ao ELN

Recentemente a ex-senadora havia divulgado uma carta dirigida a Nicolás Rodríguez (conhecido como Gabino), do Exército de Libertação Nacional da Colômbia (ELN), onde insistia pelo diálogo para um processo de paz.

Na carta, Córdoba pediu a Gabino para dizer qual era a situação e como garantiria a liberdade de 98 pessoas que, segundo dados do governo nacional, estão sequestradas pelo ELN.

A ex-senadora expressou na carta para Gabino e os demais membros do chamado Comando Central do ELN que espera "que não desistamos desse propósito nobre de construir a paz com justiça social".

O pronunciamento de Córdoba ao ELN conheceu-se no mesmo dia em que o presidente Manuel Santos disse em Santiago de Chile que seu governo ainda não vê provas confiáveis de que a guerrilha queira chegar a algum tipo de acordo de paz.

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