Rio de Janeiro, 28 de Outubro de 2026

Ameaça de Israel ao Irã abala Oriente Médio

O Oriente Médio sofreu, nesta sexta-feira, um novo abalo político após as declarações de um integrante do gabinete do premiê israelense, Ehud Olmert, de que um ataque de Israel contra o Irã seria "inevitável". Embora sem precisar uma data, observadores acreditam que o Estado judeu esteja mobilizado para destruir as plantas nucleares iranianas a qualquer momento. A declaração de Olmert ocorre após as sanções impostas pelas Nações Unidas (ONU) àquele país não terem impedido o acesso à tecnologia para fabricação de artefatos nucleares. Líder religioso iraniano responde também em tom de ameaça

Sexta, 06 de Junho de 2008 às 07:50, por: CdB

O Oriente Médio sofreu, nesta sexta-feira, um novo abalo político após as declarações de um integrante do gabinete do premiê israelense, Ehud Olmert, de que um ataque de Israel contra o Irã seria "inevitável". Embora sem precisar uma data, observadores acreditam que o Estado judeu esteja mobilizado para destruir as plantas nucleares iranianas a qualquer momento. A declaração de Olmert ocorre após as sanções impostas pelas Nações Unidas (ONU) àquele país não terem impedido o acesso à tecnologia para fabricação de artefatos nucleares.

- Se o Irã continuar com o programa de desenvolvimento de armas nucleares, nós o atacaremos. As sanções, até agora, foram ineficientes - disse o ministro dos Transportes, Shaul Mofaz, ao jornal Yedioth Ahronoth, de ampla circulação naquele país.

Mofaz foi chefe do Exército e ministro da Defesa de Israel.

- Atacar o Irã, a fim de conter seus planos nucleares, será inevitável, caso a questão nuclear (com os iranianos) prossiga - acrescentou.

Esta, até agora, foi a ameaça mais explícita já feita ao Irã por uma autoridade do governo de Olmert. O tom peferido das declarações israelenses sempre é o de que o uso das armas seria o último recurso contra o Irã, caso fracassassem de vez as tentativas da ONU de deter o acesso do Irã à tecnologia nuclear para fabricação de bombas. Na entrevista ao jornal, Mofaz também ameaçou de morte o polêmico premiê do Irã. Antes que Israel seja "varrido do mapa", segundo declara o líder iraniano, Ahmadinejad "desaparecerá antes de Israel", disse Mofaz.

O militar israelense, que nasceu no Irã, é vice-presidente de Israel, membro do gabinete de segurança de Olmert e o elo de ligação com a coordenação estratégica do Departamento de Estado norte-americano.

O possível ataque ao Irã, devido à suspeita de que o país estaria desenvolvimento armas nucleares, no entanto, seria apenas uma peça a mais no intrincado tabuleiro político de Israel, na atualidade. Em meio a um grave escândalo de corrupção, o premiê Olmert poderá ser obrigado a deixar o cargo e, com isso, provocar eleições antecipadas em Israel. O comentário de Mofaz, nesse momento, segundo analistas, também podem objetivar os setores mais à direita da sociedade israelense e, dessa forma, atrair maior apoio ao partido no poder, o Kadima.

A tensão entre os vizinhos, no Oriente Médio, tem-se elevado desde 1981, quando Israel mandou aviões de guerra para destruir um reator nuclear iraniano. Ação semelhante foi feito por Israel sobre a Síria, em setembro, a fim de comprovar a suspeita dos Estados Unidos, de que um novo reator nuclear, construído com ajuda norte-coreana, estaria em funcionamento. A Síria negou o acesso à tecnologia.

Ainda segundo analistas independentes, Israel somente conseguiria sucesso militar contra os iranianos caso os EUA o apoiassem frontalmente. Além de contar com tropas bem armadas, o Irã construiu as instalações nucleares em pontos distantes da fronteira com o Iraque e em sítios protegidos por instalações reforçadas..

Resposta imediata

O Irã, que nega o objetivo de construir armas nucleares, por mais de uma vez vem desafiando as nações ocidentais, que tentam deter o enriquecimento de urânio em usinas nucleares construídas há mais de duas décadas. Os líderes religiosos que dominam a poítica de Teerã já ameaçaram o governo de Jerusalém e outros alvos dos EUA na região..

Nas preces desta sexta-feira, em Teerã, o ayatolá Ahmad Jannati disse que "a energia nuclear pacífica do Irã levou os inimigos do Islã e da revolução islâmica ao desespero e ao fracasso".

- Enquanto tivermos um líder (o líder supremo do Irã, o aiatolá de revolução islãmica Seyed Ali Khamenei), teremos o direito ao uso pacífico da energia nuclear - disse.

O clérigo também abordou a guerra do Iraque e disse que o pacto que os EUA buscam com o povo iraquiano "não vai existir".

- O pacto que os EUA buscam no Iraque

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