O ambientalista Dionísio Júlio Ribeiro foi assassinado, no início da madrugada desta quarta-feira, com um tiro de escopeta na cabeça, em uma trilha cerca de 200 metros da entrada da Reserva Biológica do Tinguá, em Nova Iguaçu.
O ecologista, de 59 anos, foi um dos responsáveis na década de 1980 pela criação da reserva e participava desde então do Grupo de Defesa da Natureza, uma ONG constituída para a preservação daquela área composta por 28 hectares.
Funcionários da reserva e amigos do ecologista, como o deputado estadual Carlos Minc, estão chocados com o crime:
- Ontem (terça-feira) eu estive numa manifestação contra aquela barbaridade que foi o assassinato na missionária americana Dorothy Stang, no Pará, e agora somos impactados com a notícia desse crime aqui no Rio. Isso é terrível - comentou Minc.
Ambientalista era ameaçado
De acordo com Luis Henrique dos Santos Teixeira, chefe da Reserva Ecológica do Tinguá, além do ecologista, ele próprio e o agente de Defesa Florestal Marcio Castro das Mercês, vêm sofrendo freqüentes ameaças de morte por causa da repressão a caçadores e palmiteiros da região. Na semana passada dois palmiteiros foram presos extraindo na área da reserva.
O gerente-executivo do Ibama no Rio, Édson Bedin de Azevedo, disse, na manhã desta quarta-feira, não ter dúvidas de que o ambientalista foi assassinado por caçadores que atuam na caça de animais e retirada ilegal de palmito.
- Os crimes contra ambientalistas são muito graves, vêm se repetindo e precisam de uma resposta rápida das autoridades policiais e judiciais. Não há mais espaço na nossa sociedade para caçadores, palmiteiros e outros criminosos que violam o meio ambiente. Defender a Reserva Biológica de Tinguá é defender a vida porque de lá sai a água que abastece a cerca de quatro milhões de moradores da zona norte do Rio e da Baixada Fluminense - disse Bedin.