Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Ambev tem destino incerto em negócio com belgas

O destino que os controladores da AmBev, investidores que vêm do setor financeiro, darão à empresa é a principal dúvida de analistas após a confirmação de que a companhia negocia com a belga Interbrew . Combinadas, elas formariam a maior cervejaria do mundo, com valor de mercado de 23 bilhões de dólares. (Leia Mais)

Segunda, 01 de Março de 2004 às 16:12, por: CdB

O destino que os controladores da AmBev, investidores que vêm do setor financeiro, darão à empresa é a principal dúvida de analistas após a confirmação de que a companhia negocia com a belga Interbrew . Combinadas, elas formariam a maior cervejaria do mundo, com valor de mercado de 23 bilhões de dólares.

A AmBev limitou-se a informar nesta segunda-feira que há conversas para "uma transação substancial", sem dar detalhes. As apostas passam por troca de ações, compra da cervejaria brasileira pela belga e até um simples acordo comercial.

O analista Marcio Kawassaki, da Fator Corretora, acredita em uma troca de ações entre as empresas. "Nenhuma delas teria o dinheiro necessário para uma aquisição, o que iria descapitalizar a compradora", afirmou.

O perfil dos donos da Ambev, porém, levanta a hipótese de venda: enquanto a Interbrew pertence a três famílias fundadoras, a empresa brasileira é controlada por executivos com carreira no mercado financeiro - entre eles, Jorge Paulo Lemann e Carlos Alberto Sicupira, que preferem não comentar o assunto.

Um analista que pediu anonimato disse que é preciso cautela ao se imaginar a criação de uma multinacional verde e amarela. "O anúncio de negociação pode ser também uma embalagem, para uma venda eventual da AmBev. O que estamos vendo é a ponta do iceberg", disse.

O grupo belga tem forte presença na Europa, América do Norte e Ásia-Pacífico. Na América Latina, a única operação relevante está no México, onde detém 30 por cento da cervejaria Femsa.

Antes, a empresa belga já havia demonstrado interesse pelo mercado brasileiro: disputou a marca Bavaria, que foi vendida em novembro de 2000 pela AmBev. Menos de dois anos depois, a Interbrew entrou no páreo pela cervejaria Kaiser. A canadense Molson levou a melhor nas duas ocasiões.


Agressividade

A agressividade comercial sempre foi marca registrada da AmBev, que proíbe os funcionários de beberem cerveja ou refrigerante de concorrentes, uma espécie de código de conduta informal para demonstrar comprometimento com o negócio, segundo relatos de pessoas próximas à empresa.

- O nível de ambição dos controladores da AmBev nunca foi só o mercado brasileiro. É um grupo com característica empreendedora muito agressiva - disse o diretor da consultoria Gouvêa de Souza & MD, Marcos Gouvêa.

No início deste ano, o novo organograma da AmBev evidenciou o interesse da companhia pelo mercado externo. A diretoria-geral foi dividida em duas, uma para o mercado nacional e outra voltada ao internacional.

Desde que foi criada pela fusão entre Brahma e Antarctica em 1999, a AmBev estendeu suas operações para 10 países da América Latina além do Brasil. A maior incursão foi na Argentina, onde é dona da Quilmes.

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