A palavra ``namorado'' pode ser proibida no Irã, mas floriculturas e lojas de chocolate estão cheias de presentes românticos, com os jovens iranianos encontrando maneiras de driblar a vigilância da polícia no Dia dos Namorados, que é comemorado em parte do Ocidente em 14 de fevereiro, dia de São Valentim.
Um quarto de século após a revolução islâmica, lojas de presentes mostravam no sábado velas, cartões no formato de coração e almofadas com a palavra ``amor'' bordada. Mas escrever ''namorado'' em qualquer objeto continua um tabu.
``Eu quero festejar o amor no Dia dos Namorados. Não me importo se isso é um costume ocidental proibido. Eu quero mostrar meu afeto para meu namorado'', disse Elmira, 23, carregando um ursinho com um coração vermelho bordado.
A República Islâmica proíbe demonstrações públicas de afeto, mas relaxou um pouco desde que o presidente reformista Mohammad Khatami ganhou as eleições de 1997. Alguns casais de Teerã agora já se atrevem a andar de mãos dadas e a se beijar nos parques.
Mesmo assim, a polícia moral agiu no Dia dos Namorados do ano passado, fechando ou multando lojas de presentes e confiscando a mercadoria ocidental decadente.
Alguns jornais reformistas publicaram fotos no sábado de cisnes se beijando e matérias sobre o significado do Dia dos Namorados no mundo. O vice-presidente Mohammad Ali Abtahi elogiou em um artigo a noção de um dia dedicado à amizade e ao amor.
``Nosso Islã é um pioneiro entre outras religiões em encorajar as pessoas a expressar seu amor e seu afeto'', escreveu Abtahi em seu site (www.webnevesht.com).
Donos de restaurantes também disseram que estavam com reservas esgotadas para jantares a luz de velas e floriculturas estão cheias de jovens comprando rosas vermelhas -- 70 por cento dos 66 milhões de iranianos têm menos de 30 anos.
Mas Amir, com quase 30, é contra a moda, dizendo que se recusava a se render ao que chamou de exploração ao estilo americano. ``Por que eu deveria comercializar meu amor?'', perguntou.