Cientistas que tentam solucionar um mistério medieval que deixa historiadores perplexos há mais de 550 anos dizem que a primeira amante oficialmente reconhecida de um rei francês morreu intoxicada, provavelmente assassinada. Mas quem cometeu o crime ainda é um mistério.
Agnes Sorel, a bela amante do rei francês Charles VII, teve morte dolorosa em 1450, no norte da França. Sua morte foi oficialmente atribuída a uma disenteria.
Mas rapidamente se espalharam boatos segundo os quais ela teria sido assassinada, e a morte foi atribuída ao filho de Charles, o futuro rei Luís XI.
Cientistas franceses que analisaram fragmentos dos cabelos de Sorel, mais de meio século mais tarde, acabam de acrescentar evidências às especulações.
Eles concluíram que a bela amante de 28 anos do rei foi morta por uma dose maciça de mercúrio, que ela pode ter tomado por conta própria, mas que provavelmente foi colocada em sua comida por um de seus muitos inimigos.
- Ela morreu intoxicada - disse o patologista Philippe Charlier, do instituto CHRU, em Lille, norte da França. Charlier chefiou a investigação, que durou seis meses.
- Mas isso não quer dizer necessariamente que tenha sido assassinada. Pode ter sido um acidente médico.
Charlier disse que amostras tiradas dos restos mortais de Sorel indicam que ela teve infecção por vermes e foi tratada com mercúrio, um remédio comum na época. Mas a quantidade da substância encontrada em um pêlo de sua axila -- 10 mil vezes a dose médica normal- -- leva a crer que ela tenha sido envenenada propositalmente.
- Com essa dose, ela deve ter morrido em 72 horas - disse Charlier à Reuters.
- A pessoa morre consciente. Ela realmente se sente apodrecendo por dentro. É uma morte atroz, extremamente dolorosa.
Charlier disse que a teoria do envenenamento acidental é improvável, em se tratando de uma pessoa que tinha tantos inimigos.
- Era muito fácil conseguir mercúrio na época - disse ele.
- Nem custava muito caro. Qualquer pessoa poderia ter comprado e usado o mercúrio. Mas não era qualquer pessoa que tinha acesso à comida de Agnes Sorel.
Os historiadores descrevem Sorel como uma beldade espirituosa. Foi ela quem lançou na corte a moda do vestido que cai de um ombro, às vezes revelando não apenas um decote generoso mas também um seio nu, para escândalo do establishment.
Charles encheu Sorel de jóias, lhe ofereceu grandes propriedades e legitimou os três filhos que ela teve dele. Em 1444, Sorel se tornou a primeira amante reconhecida de um rei francês, causando escândalo em muitos setores, ciúmes e intrigas.
O futuro rei Luís XI, filho da esposa de Charles, Maria d'Anjou, ficava furioso com a influência que Sorel exercia sobre seu pai. Certa vez perseguiu a amante no palácio, ameaçando-a com uma espada. Os historiadores o identificam como suspeito no assassinato de Sorel.
Mas Charlier afirmou que o assassino da amante loira também pode ter sido a pessoa mais próxima de seu armário de medicamentos: o médico.
Charlier e seus colegas puderam analisar os restos mortais de Agnes Sorel quando seu túmulo foi aberto, no ano passado, antes de ser transferido para um local novo em Loches, na região central do país. Também encontraram no túmulo o quarto filho de Sorel, um natimorto.
Charlier disse que a descoberta deve inspirar os historiadores a reabrir a investigação do assassinato.
Amante de rei francês foi envenenada - mas por quem?
Terça, 05 de Abril de 2005 às 11:51, por: CdB