Com o compromisso de lutar até o "desmantelamento total do terrorismo", o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, convidou a guerrilha a entregar as armas após a captura, no Equador, e a deportação do chefe de finanças das Farc.
Em breve alocução após a chegada do chefe guerrilheiro Juvenal Ovidio Ricardo Palmera, conhecido como "Simón Trinidad", ao país, Uribe disse que com sua captura "fica demonstrado que o terrorismo nunca será campeão".
O dirigente rebelde, membro do comando do grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), é o primeiro líder dessa organização que responderá à Justiça colombiana.
Palmera foi deportado no sábado de Quito à Colômbia. Ele havia sido preso na sexta-feira à noite na capital do Equador pelas autoridades do país cumprindo uma ordem de captura internacional de 1997.
Uribe, que desde que chegou ao governo, em agosto de 2002, declarou uma guerra frontal às organizações armadas ilegais em seu país, obteve uma importante vitória com a prisão de Trinidad.
Após o cumprimento do trâmite de entrada na Colômbia e a notificação a Trinidad sobre a ordem de detenção em um município fronteiriço com o Equador, o réu chegou a Bogotá na tarde do sábado sob fortes medidas de segurança.
Na cidade de Montería, no noroeste do país, Uribe destacou o papel da polícia na luta contra os grupos violentos e agradeceu "de coração" a cooperação do Equador na prisão do chefe guerrilheiro.
"Minha geração -disse- tem que dedicar todas as energias para que as crianças e que hão de vir possam viver felizes na Colômbia", disse o presidente, ratificando sua determinação de acabar com os grupos violentos.
Convidando "a base guerrilheira a se desmobilizar e se integrar à vida constitucional da nação", Uribe lembrou que 4.294 guerrilheiros já "abandonaram o caminho do terrorismo".
O presidente pediu que "todos se retirem da guerrilha" e disse que esta "só serve para seqüestrar, assassinar e sustentar um império de droga que enriquece os líderes".
O ministro da Defesa da Colômbia, Jorge Alberto Uribe Echavarría, afirmou que não faz "profecias" nem "premonições", mas assegurou que não resistia à tentação de pedir a Deus "que a captura deste criminoso seja o prelúdio de muitas outras boas notícias no ano de 2004".
Uribe Echavarría acrescentou que a captura foi "o resultado de uma ação exemplar" da polícia "com o apoio vital do alto governo e da polícia do Equador, assim como do governo americano".
Trinidad, um economista de 53 anos que estudou finanças na Universidade de Harvard (EUA), era um dos homens mais procurados da Colômbia.
Ele era um dos principais membros da cúpula das Farc e comandante do Bloco Caribe da organização.
"Este senhor vai enfrentar a Justiça da Colômbia, onde o esperam mais de 30 processos por assassinato, seqüestro, terrorismo, rebelião e não sei que outros atos criminosos do código penal colombiano", afirmou o ministro.
Algemado e levado pelos braços por dois corpulentos militares que o colocaram em um furgão, o líder das Farc foi transportado em meio a um grande esquema de segurança feito por militares e policiais a um local de Bogotá não revelado à imprensa.
Contra o insurgente, que foi banqueiro no litoral norte colombiano, de onde é oriundo, antes de entrar para as Farc, cerca de duas décadas atrás, há processos penais por rebelião, assassinato, terrorismo, seqüestro e formação de quadrilha, entre outros.
Ele chegou a ser o principal chefe das finanças das Farc, grupo capaz de manter munido e ativo um contingente armado de quase 20.000 combatentes.
As Farc, principal e mais antigo grupo guerrilheiro colombiano, são considerados uma organização terrorista pelos EUA, pela União Européia e por vários governos da América Latina.
Álvaro Uribe quer o "desmantelamento total do terrorismo"
Domingo, 04 de Janeiro de 2004 às 07:04, por: CdB